Como montar a loja virtual: fotos, nomes e etiquetas

A loja está no ar, os produtos estão lá, e mesmo assim a cliente chama no WhatsApp perguntando "tem aquele brinco dourado que você postou semana passada?". Você manda seis fotos, ela pergunta o preço de duas, some, e volta três dias depois querendo "o terceiro".

Quase sempre o problema não é a plataforma. É o cadastro. Uma loja virtual é uma vitrine que a cliente olha sozinha, sem você do lado para explicar, e tudo o que ela precisa saber tem que estar na foto, no nome e nas etiquetas. Quando isso está certo, a mensagem que chega já diz qual é a peça, o tamanho e a cor.

Vou usar como exemplo uma loja de semijoias em Salvador: peça pequena, muitos modelos parecidos, cores que mudam o produto inteiro. É o caso difícil. Se funciona para brinco de argola, funciona para roupa, faca artesanal ou doce de pote.

Antes da primeira foto: escolha o formato e não mude mais

A primeira decisão é a menos óbvia: todas as fotos da loja no mesmo formato. Ou todas quadradas, ou todas em pé (retrato, mais altas que largas). Nunca as duas.

Parece frescura até você ver a grade da loja com uma foto deitada, uma em pé e uma quadrada lado a lado. Os cards ficam com alturas diferentes, os preços desalinham, e a vitrine passa a sensação de gaveta revirada. A cliente não sabe dizer o que está errado, só sente que a loja é bagunçada, e loja bagunçada parece loja que vai demorar para responder.

Como escolher:

  • Quadrado para peça pequena ou que fica bem centralizada: semijoia, cosmético, doce, caneca.
  • Retrato para o que é comprido: roupa no cabide ou no corpo, calçado de lado, garrafa, faca.

Escolhido, recorte no próprio celular antes de subir. O editor de fotos de qualquer celular tem a opção de proporção (1:1 para quadrado, 4:5 para retrato). E fotografe sempre da mesma distância: se um colar ocupa a foto inteira e o outro ocupa um terço, a cliente acha que um é o dobro do outro.

A foto que vende peça pequena

Escrevi um artigo inteiro sobre fotos com o celular, pensando em serviço. Para produto de loja, o que muda é que cada foto tem uma função, e a ordem importa.

A primeira foto é a peça sozinha. Fundo liso e claro (uma folha de cartolina branca ou cinza encostada na parede resolve), luz de janela sem sol batendo direto, e o celular sem zoom: em vez de aproximar a imagem, aproxime o celular. Zoom digital deixa a foto granulada, e numa peça de 2 cm o granulado aparece logo.

Essa é a foto que vai para a grade. A cliente rola a loja olhando só ela, então ela precisa mostrar o produto e mais nada. Mão, mesa de madeira, planta decorativa e marca d'água com o nome da loja ficam para as outras.

Se as fotos que você já tem estão com fundo de mesa, de parede ou de cozinha, dá para tirar o fundo depois, até com IA. Só que a IA que deixa a foto bonita às vezes redesenha a peça junto, e a cliente recebe algo diferente do que viu. Escrevi sobre como remover o fundo sem mudar o produto.

A segunda é a peça em uso. O brinco na orelha, o colar no pescoço, a camiseta vestida. É a foto que responde "qual o tamanho disso?", que é a pergunta que mais chega para quem vende semijoia.

A terceira é o detalhe. O fecho, a costura, a gravação, a textura. Quem está em dúvida entre duas peças decide aqui.

Se a peça vem em cores, cada cor tem as próprias fotos. Uma foto do brinco dourado com a legenda "também em prata" faz a cliente imaginar a prata, e imaginação não fecha venda. Quando a loja deixa escolher a cor e trocar as fotos junto, use isso.

O nome diz qual é a peça

Uma lojista de roupas que eu atendo cadastrou 14 camisetas com o mesmo nome: "Camiseta UV 50". Cada uma tinha uma estampa diferente, uma peça de cada. Na grade, eram 14 cards iguais com fotos diferentes, e no pedido que chegava pelo WhatsApp estava escrito só "1x Camiseta UV 50 (M)". Qual das 14? Ela teve que perguntar à cliente.

O nome do produto tem um trabalho só: diferenciar aquela peça das outras da loja. A fórmula que funciona é o que é + o que muda de uma para outra:

  • "Brinco argola média banhado a ouro", não "Brinco 1".
  • "Colar ponto de luz zircônia", não "Colar delicado".
  • "Camiseta UV 50 estampa cavalo", não "Camiseta UV 50".

Três coisas eu tiraria do nome:

  • Letra maiúscula em tudo e emoji. Cansa a leitura e não diferencia nada.
  • "PROMOÇÃO", "LANÇAMENTO", "ÚLTIMAS PEÇAS". O desconto e o estoque têm campo próprio. No nome, ficam lá depois que a promoção acaba.
  • Código interno do fornecedor ("BR-2231-DOU"). Para você ele diz tudo; para a cliente, nada.

Cuide também do tamanho. Na grade do celular o nome aparece em duas linhas, mais ou menos 50 caracteres. O que diferencia a peça tem que estar nesse começo, não no fim.

Etiquetas: pense em como a cliente procura

Muita loja virtual tem um campo "categoria", um só por produto. Funciona até a loja ter produtos que cabem em duas categorias ao mesmo tempo, o que acontece na primeira semana: o brinco infantil de prata é "Infantil" ou é "Prata"? Por isso eu prefiro etiquetas, várias por produto, cada uma virando um filtro na loja.

O jeito de escolher é pensar nas perguntas que a cliente faz antes de comprar:

  • Para quem? Feminino, masculino, infantil.
  • O que é? Brinco, colar, pulseira, anel.
  • Do que é, ou para quê? Prata, banhado a ouro, festa, dia a dia.

De duas a quatro etiquetas por produto bastam. E aqui vai a minha discordância com o que se lê por aí: mais etiqueta não é melhor. Uma loja com 40 filtros diferentes é uma loja onde a cliente não lê nenhum. Etiqueta que só um produto usa não ajuda ninguém a filtrar; junte com outra ou apague.

Duas regras de cuidado. Escreva sempre do mesmo jeito: "Infantil" e "infantil" e "Infantis" viram três filtros, e a cliente que clica em um não vê os outros. E não repita no filtro o que já está no nome só para encher: se toda a loja é de semijoia, a etiqueta "Semijoia" não filtra nada.

Preço, tamanho e estoque, sem a cliente perguntar

O preço tem que estar no card. Loja virtual com "consulte o preço" é catálogo de fotos com um passo a mais, e boa parte de quem clica para consultar desiste no meio.

Quando o preço muda conforme o tamanho, escreva o preço de cada tamanho, não "+R$ 10 no GG". Conta de cabeça é desculpa para não comprar. O card mostra "a partir de" com o menor valor, e a cliente vê o preço certo quando escolhe o tamanho.

O estoque é a parte que dá mais trabalho e que mais evita vergonha. Com o estoque cadastrado, a peça que acabou aparece esgotada sozinha, e você não precisa responder "essa já foi" para três clientes no mesmo dia. Peça única, como uma estampa que só tem uma camiseta, é estoque 1: vendeu, saiu da vitrine.

Na descrição, o que a foto não mostra: medida em centímetros (a foto engana, a régua não), material, como cuidar e quanto tempo leva para chegar. Três a cinco linhas. Ninguém lê texto de vendedor em loja virtual, mas todo mundo procura a medida.

Código do produto e o pedido no WhatsApp

Se a loja dá um código para cada produto, mostre e use. É o jeito mais curto de a cliente dizer o que quer ("quero o 42 em prata") e de você achar a peça sem abrir a loja inteira. Na hora de separar o pedido, entre 30 brincos de argola parecidos, o código salva.

Quando o pedido fecha pelo WhatsApp, confira se a mensagem que chega traz o nome completo, o código e o link de cada produto. O link é o que faz o WhatsApp mostrar a foto da peça dentro da conversa: você vê o que foi pedido sem sair dali, e a conversa fica registrada com a foto, para quando a cliente voltar perguntando "aquele que eu comprei em março".

Para divulgar, cada produto tem o seu link. Mande o link do produto, não a foto solta: a foto solta gera "quanto é?", o link já leva preço, tamanhos e o botão de pedir. Se você ainda não tem o link do seu WhatsApp pronto para pôr na bio e nos stories, este passo a passo resolve em cinco minutos.

Antes de publicar cada produto

Esta lista é para usar mesmo, produto por produto, nas primeiras semanas:

  1. A primeira foto mostra só a peça, no formato da loja, sobre fundo liso.
  2. Cada cor tem a sua foto.
  3. O nome diz o que é e o que diferencia essa peça das parecidas.
  4. Duas a quatro etiquetas, escritas igual às que a loja já usa.
  5. O preço está certo para cada tamanho.
  6. O estoque está preenchido.
  7. A descrição tem a medida.

Depois de umas 20 peças isso vira hábito, e a lista deixa de ser necessária.

Uma loja bem montada ainda precisa ser achada

Tudo isso faz a cliente que chega comprar sem precisar perguntar. O que não resolve é a cliente que não chega. Quem procura "semijoias em Salvador" no Google cai em quem tem uma página que aparece nessa busca, e uma loja que só existe no link da bio do Instagram não aparece. Escrevi sobre isso em só tenho Instagram: preciso de um site? e sobre o que escrever para a cliente chamar.

É por isso que a nossa loja virtual mora no mesmo endereço da página do negócio: quem acha a página no Google está a um toque dos produtos. Ela tem tudo o que este artigo pede, do formato único das fotos às cores com fotos próprias, das etiquetas ao código, e o pedido chega no seu WhatsApp com o Pix. O primeiro mês é sem cobrança.

Cristian F. Ritter

Cristian F. Ritter

Cristian Ritter é Engenheiro e Mestrando em Ciências da Computação. Apaixonado por tecnologia e com uma carreira de mais de 20 anos na área, trabalha com sites profissionais para negócios locais e cardápios digitais na ConectaPages desde a sua fundação em 2023.