Pense num pintor em Londrina. Pinta apartamento, casa, um muro de vez em quando. Termina uma sala com corredor numa sexta à tarde, recolhe as lonas, e antes de ir embora tira uma foto para mostrar o trabalho. Já são seis e meia, a luz que sobrou é a do lustre amarelo da sala. Na foto, a parede branca recém-pintada parece bege e manchada.
E a foto que ele mais precisava nem existe. A parede antes do serviço tinha mofo no canto do teto e uma infiltração descascando atrás do sofá. Era exatamente isso que a próxima cliente tem em casa, e ele não fotografou, porque quando chegou na obra estava pensando no trabalho, não no celular.
Quase todo mundo que trabalha com as mãos tem um celular cheio de fotos e quase nenhuma que vende. Tem foto do material, foto torta, foto escura, foto do serviço pronto sem nada que diga o que foi feito. O problema não é a câmera. Celular de R$ 1.000 tira foto boa o bastante para qualquer página. O problema é fotografar a coisa errada, na hora errada.
A foto que vende mostra o problema de quem está procurando
Quem procura "pintor em Londrina" não está procurando uma parede branca bonita. Está olhando para uma parede com mofo, ou com rachadura, ou com a cor que o dono anterior escolheu, e quer saber se você resolve aquilo.
Por isso a foto mais útil que você pode ter não é a do resultado. É o antes e depois do mesmo lugar: o canto com mofo e o mesmo canto pintado. A pessoa se reconhece no antes e acredita no depois, porque vê que é a mesma parede. Só o depois pode ser qualquer parede de qualquer pintor. Até de banco de imagens.
Isso vale para quase todo ofício que transforma alguma coisa. O estofador com o sofá manchado e o sofá limpo, o jardineiro com o terreno tomado de mato e o gramado, o piscineiro com a água verde e a água azul. Quem não transforma, mas instala ou conserta, tem outra versão do mesmo raciocínio: o eletricista mostra o quadro antigo, cheio de emenda, e o quadro novo organizado.
O que fotografar em cada serviço
Esta é uma lista para seguir mesmo, serviço por serviço. São quatro fotos, dois minutos no total.
- O antes, assim que chegar. Antes de mexer em qualquer coisa, antes de tirar o móvel do lugar. Fotografe o problema de perto e o cômodo inteiro de longe.
- O durante, uma ou duas vezes. A parede lixada com massa, o piso coberto com lona, a fita no rodapé.
- O depois, do mesmo lugar do antes. Mesmo ângulo, mesma distância. Repare onde você estava em pé na primeira foto: a porta, a janela, o interruptor. Use isso como marca.
- Um detalhe de acabamento. O recorte reto entre a parede e o teto, o rodapé sem respingo. É o que separa o serviço caprichado do apressado, e ninguém percebe isso de longe.
A segunda foto é a que quase ninguém tira, e na minha opinião é a que mais justifica o preço. A cliente que recebeu um orçamento de R$ 1.800 e outro de R$ 1.100 não entende a diferença olhando duas paredes brancas prontas. Entende olhando a sua parede lixada, emassada e o piso protegido, e imaginando o outro pintor passando tinta por cima do mofo.
Uma quinta foto, quando der: você trabalhando, sem pose. A cliente vai deixar alguém entrar na casa dela, às vezes com ela fora. Ver quem vem ajuda mais do que qualquer frase sobre "profissionais de confiança".
Como tirar a foto com o celular
Ninguém precisa virar fotógrafo. Precisa evitar os cinco erros que fazem trabalho bom parecer trabalho ruim.
Luz de dia, sem flash. Abra a cortina, acenda nada. A luz da janela mostra a cor real; a lâmpada amarela deixa o branco bege, e o flash faz um clarão no meio da parede e sombra dura nos cantos. Se o serviço terminou de noite, volte para fotografar no dia seguinte, ou fotografe no início do próximo trabalho naquele prédio. Foto escura de trabalho bom vende menos que foto clara de trabalho médio.
Limpe a lente. Parece bobagem. A lente do celular que fica no bolso da calça de obra tem poeira e dedo, e é isso que deixa a foto com aquele aspecto leitoso. Um pano da camiseta resolve.
Celular reto. Ligue a grade da câmera (fica nas configurações da câmera do celular, com o nome de "grade" ou "linhas de grade") e alinhe uma linha com o canto da parede. Parede torta na foto parece parede torta de verdade, e para um pintor isso é o pior defeito possível.
Chegue perto em vez de dar zoom. O zoom do celular, na maioria dos aparelhos, só corta e estica a imagem. Dois passos para a frente dão uma foto mais nítida que o zoom.
Sem filtro. Para o pintor, a cor é o produto. A cliente que escolheu "verde sálvia" na foto e recebeu uma parede que parece outra cor vai reclamar, com razão. Vale para quase todos: o filtro que deixa a foto "mais bonita" muda justamente a coisa que a pessoa está avaliando.
E uma escolha que vale fazer de uma vez: fotografe tudo na mesma posição do celular, de pé ou deitado. Numa galeria, fotos com formatos misturados ficam com faixas vazias ou cortadas, e o conjunto parece bagunçado. Na página do negócio que a gente faz, por exemplo, a galeria inteira segue um formato só (vertical, quadrado ou horizontal), escolhido para o tipo de trabalho; o pintor fica bem no horizontal, que mostra a parede inteira, e quem faz unha fica melhor no vertical.
Antes e depois: duas fotos ou uma montagem?
Existem aplicativos que juntam as duas fotos numa imagem só, lado a lado. Para o Instagram, funciona. Para a página e para a ficha do Google, eu prefiro as duas fotos separadas, uma depois da outra, com legenda.
O motivo é o tamanho. Numa tela de celular, uma montagem lado a lado vira duas fotos com metade da largura, e o mofo no canto do teto, que era o ponto, some. Separadas, cada uma ocupa a tela inteira, e quem passa de uma para a outra vê a mudança no mesmo lugar, que é o efeito que você quer.
Se for fazer montagem, uma em cima da outra funciona melhor no celular do que lado a lado.
A legenda é metade da foto
Foto sem legenda deixa a pessoa adivinhando. A legenda que vende diz o que foi feito, onde e em quanto tempo:
Sala e corredor, 42 m². Tratamento do mofo, massa corrida e acrílica fosca. Três dias de serviço, Gleba Palhano.
Essa linha responde de uma vez "você trata mofo?", "atende no meu bairro?" e "quanto tempo demora?". E ajuda a pessoa a pedir: "quero algo como a terceira foto, para um quarto de 12 m²".
A legenda também é lida pelo Google. Na página do negócio, o texto que você escreve embaixo da foto vira a descrição da imagem, que é como o Google entende o que tem nela. "Pintura de sala com tratamento de mofo, Gleba Palhano" diz muito mais do que "IMG_20261017_183522.jpg". Escrevi mais sobre legendas e o texto em volta no artigo sobre o que escrever na página para o cliente chamar no WhatsApp.
O que não fotografar
A casa do cliente além do serviço. O porta-retrato da família na estante, a TV nova, o número da casa na fachada. Quem vê a foto não precisa saber onde a cliente mora nem o que ela tem em casa. Enquadre o serviço, ou peça para tirar o objeto do lugar.
Sem pedir. Pergunte antes, no fim do serviço: "posso tirar umas fotos para mostrar o trabalho? Não aparece nada pessoal". Quase todo mundo deixa, e quem pergunta passa uma impressão melhor do que quem fotografa escondido.
Foto que não é sua. Banco de imagens e foto gerada por inteligência artificial parecem uma saída quando ainda não tem foto boa. Não são. A cliente contrata pela parede da foto e recebe a sua parede; se não for parecida, ela se sente enganada, e tem razão. Melhor uma galeria com três fotos reais do que doze bonitas que não são do seu trabalho. Se as fotos ainda estão poucas, comece pelas três melhores e vá trocando a cada serviço.
Para onde vão as fotos
Foto parada no rolo da câmera não vende nada. Ela precisa estar onde a pessoa procura antes de chamar:
Na ficha do Google. É a primeira coisa que aparece para quem procura o serviço no Maps, e ficha sem foto passa a impressão de empresa parada. Como deixar a ficha em dia está no artigo sobre o Google Meu Negócio.
Na sua página. A ficha tem espaço para foto, mas não para explicar o serviço, os bairros e o preço de partida. A página tem, e a galeria com legenda é o que faz a pessoa ver o trabalho e já chamar sabendo o que quer. Por que a ficha sozinha deixa cliente pelo caminho está em aparece no Maps mas não tem para onde mandar o cliente.
No WhatsApp, prontas para mandar. Crie um álbum no celular chamado "Trabalhos" e guarde só as melhores. Quando alguém pergunta "tem foto de serviço?", você manda três em dez segundos, em vez de rolar seiscentas fotos de obra procurando.
No Instagram, se você usa. Ele é bom para quem já te segue ver o trabalho recente. Para quem procura no Google e não te conhece, ele ajuda menos, e falei disso no artigo só tenho Instagram: preciso mesmo de um site?.
Uma rotina que cabe no serviço
Quatro fotos por serviço: antes, durante, depois e o detalhe. Dois minutos, divididos entre a chegada e a saída. No fim do mês, escolha as duas melhores e coloque na página e na ficha do Google, trocando as mais velhas ou as mais fracas.
Em seis meses, o pintor de Londrina tem uma galeria com doze antes e depois, cada um com o bairro e o que foi feito. Quem procura um pintor e cai na página dele vê, antes de chamar, que ele já resolveu um mofo igual ao dela num bairro perto. A conversa começa com "quero orçar a pintura de um quarto de 12 m² com mofo", e não com "quanto custa pintar?".
As fotos são suas: você tira e manda. O texto e a página no ar a gente faz, por R$ 29,90 por mês: sites profissionais.