O que é o Google Meu Negócio e por que ter um perfil

Procure "chaveiro São Leopoldo" no celular. Antes de qualquer site, aparece um mapa com três empresas embaixo: nome, nota, quantas avaliações, se está aberto agora, e um botão de ligar.

Esses três nomes vêm de um cadastro gratuito do Google. Durante anos ele se chamou Google Meu Negócio; desde 2021 o nome oficial é Perfil da Empresa no Google. É a mesma coisa, e quase todo mundo ainda procura pelo nome antigo, então vou usar os dois.

Se o seu negócio atende gente da sua cidade e você ainda não tem esse perfil, este é provavelmente o passo com melhor retorno que você pode dar esta semana. Não custa nada além de uma tarde.

O que é, sem rodeio

É a ficha da sua empresa dentro do Google. Ela aparece em dois lugares: no Google Maps, quando alguém procura pelo tipo de serviço numa região, e na busca comum, naquele bloco com mapa que fica acima dos sites.

Na ficha cabem: nome, categoria, telefone, endereço ou área atendida, horário, site, fotos, avaliações de clientes, a lista dos seus serviços e publicações curtas, parecidas com posts.

Quem cuida dela é você. O Google às vezes cria uma ficha sozinho, a partir de informações que achou por aí, ou algum cliente sugere o seu negócio. Nesse caso a ficha já existe e está sem dono — com telefone velho, horário inventado, foto tirada por qualquer pessoa. Reivindicar essa ficha é o primeiro passo.

Por que ela pesa tanto para quem atende na cidade

Porque é o primeiro resultado que a pessoa vê, e porque ela resolve tudo sem sair dali.

Pense no chaveiro. Quem procura chaveiro está trancado do lado de fora, com pressa. Não vai abrir site, comparar, ler sobre a empresa. Vai olhar os três nomes do mapa, ver quem está aberto, quem está mais perto e quem tem nota boa, e apertar "ligar". A decisão leva menos de um minuto.

Não é só serviço de urgência. A eletricista, a manicure que atende em casa, o conserto de celular — todo mundo que procura "perto de mim" passa por esse bloco. Ficar fora dele é ficar fora da conversa antes dela começar.

E o custo é zero. Não existe mensalidade para ter o perfil, e aparecer ali sem anúncio depende de fatores que você controla em boa parte: estar completo, estar correto, ter avaliações e estar perto de quem procura.

Como criar ou reivindicar o seu

O caminho é pelo site do Perfil da Empresa no Google (procure por esse nome), com uma conta Google. Uma dica antes de começar: use uma conta que seja da empresa, ou pelo menos sua, e não a do sobrinho que está ajudando. É a mesma lição do domínio de site — o que é do seu negócio precisa estar no seu nome.

Os passos, na ordem:

  1. Procure o nome da empresa. Se aparecer uma ficha existente, peça para gerenciá-la em vez de criar outra. Duas fichas para a mesma empresa atrapalham as duas.
  2. Escolha a categoria principal. É a escolha mais importante do cadastro. Seja específico: "Chaveiro" é melhor que "Serviço de manutenção"; "Assistência técnica de celular" é melhor que "Loja de eletrônicos". Depois dá para acrescentar categorias secundárias.
  3. Endereço ou área atendida. Se o cliente vai até você, informe o endereço. Se você vai até o cliente e não recebe ninguém no local, dá para esconder o endereço e mostrar só as cidades ou bairros que você atende. O chaveiro que trabalha na van faz exatamente isso.
  4. Telefone e site. O telefone que você realmente atende. Se o número tem WhatsApp, melhor ainda.
  5. Verificação. O Google precisa confirmar que o negócio existe e é seu. O método varia; hoje o mais comum é gravar um vídeo curto pelo celular mostrando o local, a fachada ou a ferramenta de trabalho e algo que prove que você é o responsável. Pode levar alguns dias para aprovar.

Até a verificação passar, a ficha pode não aparecer para ninguém. Não desanime se nada acontecer na primeira semana.

O que preencher para aparecer mais

Um perfil existir não significa que ele aparece. Entre dois chaveiros à mesma distância, o Google tende a mostrar o que tem mais informação e mais avaliação. Aqui está o que eu preencheria, nesta ordem.

Horário real, com feriados. Se o chaveiro atende 24 horas, diga 24 horas. Se não atende domingo, diga. O pior perfil é o que mostra "aberto agora" e ninguém atende.

Serviços. Existe uma seção própria para listar o que você faz. Use as palavras que o cliente usa: "abertura de porta", "cópia de chave de carro", "troca de fechadura", e não "soluções em segurança residencial".

Fotos de verdade. A fachada ou o carro de trabalho, você trabalhando, o resultado. Fotos de celular servem, desde que dê para entender o que está nelas. Foto de banco de imagem não ajuda, e às vezes atrapalha: o cliente percebe.

Descrição. Um parágrafo curto dizendo o que você faz, onde atende e há quanto tempo. Sem lista de palavras-chave repetidas; o Google lê isso como tentativa de enganar, e o cliente também.

Publicações. Pouca gente usa. Uma foto de trabalho por semana com duas linhas de texto mostra que o perfil está vivo. Se você já posta no Instagram, é só aproveitar a mesma foto.

Avaliações: como pedir e como responder

Avaliação é o que decide entre três nomes no mapa, e quase ninguém avalia sem ser pedido.

Peça logo depois do serviço, quando o cliente está satisfeito — a porta abriu, a chave funcionou. O próprio painel do perfil gera um link direto para avaliar; mande por WhatsApp com uma frase só: "Se puder, deixa sua opinião aqui, ajuda muito quem trabalha sozinho". Peça a opinião sincera, não cinco estrelas.

Responda todas, inclusive as boas. Uma resposta curta e com o nome do cliente mostra que tem gente do outro lado.

E as ruins, principalmente essas. Responda com calma, sem discutir em público, reconhecendo o que foi problema de verdade e dizendo o que você fez. Quem lê a avaliação negativa está lendo a sua resposta junto, e decide por ela.

Uma coisa que não recomendo nunca: comprar avaliação ou pedir para amigo que nunca foi cliente. Viola as regras do Google, que remove avaliação suspeita e pode suspender o perfil, e o cliente desconfia de nota perfeita com texto genérico.

Erros que eu vejo com frequência

Nome com palavra-chave enfiada. "Chaveiro 24h São Leopoldo Melhor Preço" no lugar do nome da empresa. Funciona por um tempo e depois a ficha é suspensa. Use o nome real, o que está na fachada ou no CNPJ.

Telefone que ninguém atende. O perfil manda a ligação; se cai na caixa postal, o cliente liga para o próximo nome do mapa.

Ficha abandonada. Horário de antes da pandemia, foto de uma loja que mudou de endereço, nenhuma resposta a avaliações de dois anos. O perfil continua aparecendo, só que mandando gente embora.

Achar que o perfil basta. Ele é curto por natureza. Não cabe preço de cada serviço com o que está incluído, não cabe a explicação de como você trabalha, não cabe a resposta para as perguntas que todo cliente faz. É aí que entra uma página própria.

O perfil e a página trabalham juntos

O perfil do Google traz a pessoa. A página convence quem ainda está em dúvida.

O botão "site" do perfil é o caminho mais comum para isso: quem quer saber mais antes de ligar clica ali. Se leva para uma página com os serviços, os preços ou um "a partir de", as cidades atendidas, as avaliações e um botão de WhatsApp, a pessoa chama já decidida. Se leva para um perfil de Instagram, ela precisa garimpar. Escrevi sobre essa diferença em só tenho Instagram: preciso mesmo de um site?.

E um ajuda o outro a ser achado: o mesmo nome, telefone e endereço no perfil e na página confirmam para o Google que as duas coisas são a mesma empresa. Como funciona o bloco do mapa e o que mais pesa para aparecer nele está em como aparecer no Google na busca da sua cidade.

Se o perfil é o primeiro passo, ele entra numa ordem maior, com WhatsApp, avaliações e rede social, que descrevo no guia de marketing digital para pequenas empresas. E quando o cliente clicar para conversar, vale ter a saudação automática pronta: como criar uma mensagem de saudação no WhatsApp.

Por onde começar

Hoje: procure o nome da sua empresa no Google Maps. Se aparecer uma ficha, reivindique. Se não aparecer, crie. Escolha a categoria com cuidado, preencha horário e telefone, suba cinco fotos e peça a verificação.

Na semana que vem: mande o pedido de avaliação para os últimos dez clientes.

Se quiser uma página para colocar no botão "site" do perfil, com seus serviços, preços e o WhatsApp, é o que fazemos em sites profissionais, por R$ 29,90 por mês. E se travar em algum passo do cadastro, chama a gente.

Cristian F. Ritter

Cristian F. Ritter

Cristian Ritter é engenheiro e fundador da Conecta Pages, uma empresa especializada em soluções de marketing digital e criação de páginas de captura. Com uma carreira de mais de 15 anos no setor de tecnologia, o autor tem ajudado inúmeras empresas a estabelecerem e expandirem sua presença online.