Todo guia de marketing digital começa listando canais: Instagram, TikTok, Google, e-mail, anúncios, LinkedIn, YouTube. Para uma empresa de uma ou duas pessoas, essa lista não ajuda. Ela só confirma a sensação de que tem coisa demais para fazer e nunca vai dar tempo.
O que ajuda é outra pergunta: com o tempo e o dinheiro que eu tenho, o que eu faço primeiro?
Este guia responde isso, em ordem. Vou usar como exemplo um piscineiro que atende Campo Bom e Novo Hamburgo, trabalha sozinho e tem, sendo otimista, uma hora por semana para cuidar de "marketing". Se o seu negócio é outro, troque as palavras; a ordem quase sempre vale.
Antes de escolher canal, descubra de onde o cliente vem hoje
Pergunte para os próximos dez clientes: "como você me achou?". Anote num papel, no bloco de notas do celular, onde for. Não precisa de ferramenta.
No caso do piscineiro, a resposta mais provável é algo assim: seis por indicação de vizinho, três porque procuraram no Google, um porque viu a caminhonete parada na frente de uma casa.
Esse papel vale mais que qualquer relatório. Ele diz duas coisas: o que já funciona (e merece ser reforçado) e por onde está entrando pouco (e talvez devesse entrar mais). Quase todo pequeno negócio local descobre que a indicação carrega o faturamento e que a busca traz uma fração pequena, mas de gente que nunca teria ouvido falar dele.
Muita gente pula esse passo e vai direto para o Instagram, porque é o que todo mundo faz. Eu não recomendo. Sem saber de onde o cliente vem, você não sabe se o post está ajudando ou só ocupando a noite.
A ordem que eu recomendo
São cinco passos. Cada um depende pouco do seguinte, então dá para parar em qualquer ponto e o que já foi feito continua rendendo.
1. O perfil no Google Meu Negócio
É gratuito e é o que aparece no mapa quando alguém procura "limpeza de piscina Campo Bom". Nome certo, categoria certa, telefone, horário, área atendida e umas oito fotos de trabalho de verdade: piscina verde antes, piscina azul depois.
Se você ainda não tem, comece por aqui. O que ele é e por que importa está em o que é o Google Meu Negócio.
2. Um endereço que diga o que você faz, onde e por quanto
O perfil do Google é curto. Não cabe a lista dos serviços com o que está incluído em cada um, as cidades atendidas, as perguntas que todo cliente faz.
É isso que uma página resolve. Para o piscineiro: limpeza avulsa, manutenção mensal, tratamento de água verde, troca de areia do filtro — cada um com uma linha explicando e, se possível, o preço ou um "a partir de". Quem entra já sabe se cabe no bolso antes de chamar. Menos conversa perdida, mais cliente decidido.
Não precisa ser um site grande. Uma página bem escrita resolve. Como pensar nela está em como criar um site para o seu negócio.
3. O WhatsApp preparado para receber
Quase todo contato de serviço local acaba no WhatsApp. Se a pessoa manda "oi, quanto custa?" e a resposta vem seis horas depois, ela já fechou com outro.
Três coisas resolvem boa parte: o WhatsApp Business (gratuito), uma mensagem de saudação automática dizendo em quanto tempo você responde e o que a pessoa deve mandar (tamanho da piscina, bairro, foto da água), e respostas rápidas salvas para as perguntas que se repetem. O passo a passo da saudação está em como criar uma mensagem de saudação no WhatsApp.
4. Pedir avaliação, sempre
Avaliação no Google é o que faz alguém escolher você entre três nomes no mapa. E quase ninguém avalia sem ser pedido.
O melhor momento é logo depois do serviço, quando o cliente está olhando a piscina limpa. Uma mensagem curta com o link direto para avaliar resolve. Não peça cinco estrelas, peça a opinião sincera: o resultado é o mesmo e você não passa vergonha.
5. Rede social, como rotina e não como obrigação
Só agora. O Instagram é bom para manter você na lembrança de quem já te conhece e para mostrar trabalho. É ruim para ser encontrado por quem está procurando agora — expliquei a diferença em só tenho Instagram: preciso mesmo de um site?.
Para o piscineiro, um antes e depois por semana, feito no local, com o celular, é suficiente. Não precisa de dança, de trend, de legenda comprida.
E o anúncio pago?
Fica para depois dos cinco passos, e tem um motivo prático. Anúncio leva gente para algum lugar. Se esse lugar é um perfil sem preço, um WhatsApp que demora a responder e nenhuma avaliação, você está pagando para mostrar isso a mais pessoas.
Quando a base estiver pronta, anúncio pode fazer muito sentido, principalmente em negócio sazonal. O piscineiro tem de outubro a março para faturar o ano; um anúncio de busca local no começo da temporada pode encher a agenda antes da concorrência acordar. Comece com um valor que você aceita perder enquanto aprende, e meça pelo único número que importa: quantos clientes vieram.
Uma hora por semana, dividida assim
Aqui está a parte que costuma faltar nos guias: quanto tempo cada coisa leva, e quando fazer.
Segunda, 15 minutos. Responder as avaliações novas do Google, todas, inclusive as boas. Conferir se o horário e o telefone continuam certos.
Quarta, 20 minutos. Postar o antes e depois da semana. Se possível, a mesma foto vai para o perfil do Google — ele também aceita publicações e quase ninguém usa.
Sexta, 15 minutos. Mandar o pedido de avaliação para os clientes da semana que ainda não receberam. Atualizar a planilha de "como me achou".
Uma vez por mês, 10 minutos. Olhar a página: algum preço mudou? Algum serviço novo? Alguma cidade que você começou a atender? A página desatualizada é a mais cara de todas, porque você continua pagando por ela enquanto ela manda cliente embora.
Uma hora. Se nem isso couber na semana, faça só a sexta-feira. Pedir avaliação é o que mais rende por minuto gasto.
O que medir sem virar analista
Esqueça curtidas e seguidores por enquanto. Não é que não importem para nada; é que não pagam conta, e olhar para eles toma o tempo que você não tem.
Três números bastam, e cabem numa folha:
- De onde veio cada cliente novo. Do papel lá do começo, contado todo mês.
- Quantas avaliações você tem no Google, e a média. Uma vez por mês.
- Quantos orçamentos viraram serviço. Se muita gente chama e pouca fecha, o problema pode ser preço, demora na resposta ou falta de informação antes do contato — e cada um tem uma solução diferente.
Se depois de três meses a busca continua trazendo quase nada, vale fazer o teste que descrevo em como aparecer no Google na busca da sua cidade: procurar o seu serviço mais a sua cidade no celular de outra pessoa e ver quem aparece no seu lugar.
Três erros que eu vejo toda semana
Abrir conta em tudo. Um perfil no TikTok com três vídeos de 2023 passa a impressão de empresa fechada. Melhor estar em dois lugares bem cuidados que em seis abandonados.
Esperar o resultado da semana. Presença na busca e avaliações são coisas que acumulam. O primeiro mês costuma parecer que não aconteceu nada; o sexto é que mostra se aconteceu. Anúncio é o único que responde rápido — e para de responder no dia em que você para de pagar.
Pagar por uma coisa que ninguém atualiza. Site com telefone antigo, perfil do Google com horário de antes da pandemia, cardápio de serviços que não bate com o que você faz hoje. É o erro mais caro da lista, porque parece que está funcionando. Escrevi sobre o custo real de manter uma página no ar em quanto custa manter uma landing page no ar depois de pronta.
Por onde começar amanhã
Pelo papel. Pergunte ao próximo cliente como ele te achou, e ao seguinte, e ao outro. Em duas semanas você vai saber mais sobre o seu marketing do que qualquer guia pode dizer, inclusive este.
Depois, siga a ordem: perfil no Google, página, WhatsApp, avaliações, rede social. Se quiser ajuda com a página, é o que a gente faz em sites profissionais, por R$ 29,90 por mês, com as alterações incluídas. E se tiver dúvida sobre qual passo vem primeiro no seu caso, fala com a gente.