Pense num corretor de imóveis em Caxias do Sul. Ele manda fazer quinze placas de "vende-se", cada uma com um QR Code que abre as fotos e o preço da casa. Gerou os códigos num site que apareceu primeiro no Google, de graça, em cinco minutos. Duas semanas depois, quem aponta o celular para a placa cai numa página pedindo que alguém assine um plano. Esse alguém é ele, e ele nem sabe que aconteceu: quem escaneia não liga para avisar, só desiste.
Gerar o QR Code é a parte fácil. O que decide se ele continua funcionando é uma escolha que quase nenhum gerador explica na hora: o código guarda o endereço dentro dele, ou guarda um endereço do próprio site, que depois redireciona para o seu?
Os dois tipos de QR Code, sem palavra técnica
O fixo. O endereço está desenhado nos quadradinhos. Quem escaneia vai direto para lá, sem passar por ninguém. Não vence, não depende de assinatura, não para se o site que gerou fechar amanhã. O único jeito de ele parar é a página de destino sair do ar. A contrapartida: impresso, ele leva para aquele endereço para sempre. Mudou o destino, só imprimindo de novo.
O editável (os sites chamam de "dinâmico"). O desenho guarda um endereço curto do serviço que gerou, e esse serviço manda a pessoa para o destino que você escolheu. A vantagem é grande: você troca o destino pelo celular e a placa já impressa passa a levar para o lugar novo. O preço disso é que o código depende do serviço. Se o serviço desligar, ou se você parar de pagar, o papel na rua para junto.
Nenhum dos dois é melhor. Depende de uma pergunta só: o destino desse papel vai mudar?
O cartão de visita que leva para o seu WhatsApp não muda: fixo resolve, e escrevi o passo a passo em link e QR Code do WhatsApp. A placa do corretor muda toda vez que a casa é vendida e a placa vai para outra. O cardápio na mesa muda quando troca o preço. Aí o editável se paga.
Onde gerar um QR Code fixo de graça
Não precisa de site nenhum. No Chrome do computador, clique com o botão direito em qualquer página e escolha "Criar código QR para esta página": sai um fixo, pronto para baixar. No Canva, o aplicativo de QR Code também gera fixo, já dentro da arte do cartão ou do panfleto. Para o WhatsApp, o próprio WhatsApp Business gera o seu, e ele não vence.
Esses três têm uma coisa em comum: nenhum pede cadastro para gerar. Quando um site pede e-mail e senha para entregar um QR Code "grátis", desconfie. Quase sempre é porque ele vai gerar o editável, o que depende dele, e vai cobrar por isso mais tarde.
A armadilha do grátis que vence
Esse é o caso do corretor, e não é golpe: está escrito nas regras, só que ninguém lê antes de imprimir. O QR Code Generator, um dos sites que mais aparece quando se procura "gerar qr code", diz na própria central de ajuda que os QR Codes editáveis criados no teste grátis de 14 dias são desativados quando o teste acaba. Os fixos continuam funcionando. O desativado não dá erro: abre uma página do serviço, e para voltar ao destino é preciso assinar.
Vou ser direto sobre o que eu acho: o problema não é cobrar. Manter um código editável funcionando custa, e alguém paga. O problema é a pessoa descobrir isso com quinhentos panfletos já distribuídos. Antes de imprimir qualquer QR Code, procure no site a resposta para três perguntas:
- O código que gerei é fixo ou editável?
- Se é editável, o que acontece com ele quando o grátis acabar, e quando acaba?
- Se eu parar de pagar um dia, ele para na hora ou continua?
Se o site não responde com clareza, gere um fixo em outro lugar. Vale mais um papel que não muda do que um que muda e some.
Como saber de que tipo é o que você já imprimiu
Aponte a câmera do celular para o código, mas não toque para abrir ainda. A maioria dos celulares mostra o endereço antes. Se aparece o endereço do seu site, do seu Instagram ou do WhatsApp (wa.me), é fixo. Se aparece um endereço curto de outro site, com um monte de letras no fim, é editável e depende daquele serviço.
Faça isso hoje com os papéis que já estão por aí: o adesivo do carro, o cardápio, a placa na frente da loja. Leva dois minutos e evita a surpresa.
E se o que já está impresso venceu?
Primeiro, a conta. Se são quinze placas, assinar o plano do serviço por alguns meses pode sair mais barato do que refazer tudo, e ganha tempo para trocar com calma. Se são cem cartões de visita, reimprimir costuma custar menos que um ano de assinatura.
Segundo, não troque um editável preso por outro editável que você não leu as regras. Se o destino daquele papel não vai mudar, o reimpresso pode ser fixo e o problema acaba ali.
E enquanto o papel novo não chega, ponha o endereço escrito do lado do código, com caneta mesmo, ou um adesivo por cima com o seu WhatsApp. Feio, mas quem passa ainda consegue falar com você.
O nosso também vence, e como ele vence
Eu vendo QR Code editável, então leia este trecho sabendo disso.
O QR Code editável da ConectaPages tem um plano grátis de até 3 códigos. Ele também vence: a cada 3 meses a gente pergunta, por e-mail, se o código continua em uso. Um botão no e-mail renova, e abrir a tela de QR Codes no painel também. Se ninguém responder, quem escanear vê uma página nossa dizendo que o código venceu e que o dono reativa entrando no painel. Reativou, o papel volta a funcionar como antes. No plano pago os códigos não vencem.
Por que perguntar, em vez de deixar valendo para sempre? Porque um QR Code esquecido com o nosso endereço, que o dono nem lembra que existe, é exatamente o tipo de coisa que pode acabar levando para onde não devia. O aviso de três em três meses é o preço de o endereço continuar confiável para quem escaneia, incluindo o seu cliente.
Duas coisas que o editável dá e o fixo não: você vê no painel quantas vezes cada código foi lido, e quando foi a última. O corretor descobre qual placa é olhada e qual está num ponto morto. E se um papel foi parar onde não devia, você pausa o código e ele para de levar ao destino.
Antes de mandar imprimir
Essa parte é lista porque é para conferir item por item, com o arquivo na mão:
- Tamanho. Menos de 2 cm de lado começa a falhar em celular mais simples. Para placa, a conta prática é o lado do código ser um décimo da distância de leitura: lido a 5 metros da calçada, 50 cm. No cartão de visita, 2 a 2,5 cm cabem e leem; as medidas do cartão estão no artigo sobre tamanho de cartão de visita.
- Margem em branco. Em volta do código precisa de uma faixa vazia, sem texto nem desenho encostando. A gráfica às vezes corta isso para caber; peça para não cortar.
- Escuro no claro. Código preto ou azul-escuro em fundo branco. Invertido, claro no escuro, muito celular não lê. Dourado em cima de papel kraft fica bonito e não funciona.
- Uma frase do lado. "Aponte a câmera para ver fotos e preço" faz mais gente escanear do que o código sozinho. A pessoa precisa saber o que ganha antes de levantar o celular.
- Teste em dois celulares, um deles mais velho, na distância real. Imprima uma folha em casa, cole na parede e teste da porta. O código que lê na tela do computador nem sempre lê no papel.
Um cuidado que vale para todos
Em lugar público, confira de vez em quando se ninguém colou um adesivo com outro QR Code por cima do seu. É um golpe conhecido em estacionamento e restaurante: o código falso leva para uma página de pagamento parecida com a sua. Quem tem o editável percebe mais rápido, porque os acessos do painel param de subir.
E se o QR Code é para um cardápio, nem precisa gerar um à parte: o cardápio digital grátis já vem com o código das mesas, que não vence.
Se o seu papel vai mudar de destino, gere o seu QR Code editável aqui. Se não vai, gere um fixo e imprima tranquilo.