Página feita por IA é bonita. Quem mexe nela depois?

Pense no dono de uma desentupidora em Goiânia. Ele tem a ficha no Google, umas quarenta avaliações de clientes e o telefone tocando de vez em quando. Numa terça, chega uma mensagem no WhatsApp: "Vi a sua empresa no Google e montei uma página para você. Dá uma olhada." Tem um link.

Ele abre e leva um susto bom. A página é bonita de verdade: fundo azul, foto de um encanador sorrindo, "Atendimento 24 horas com excelência", seis serviços com ícone, três depoimentos com cinco estrelas e um botão de WhatsApp. Feita em uma tarde, por um preço que parece justo.

Uma proposta assim chegou há pouco a uma empresa de climatização em Santa Catarina, mandada por uma agência de outro estado, e a página também estava bonita. Não é isso que está em questão. O que importa é o que tem dentro dela e o que acontece no dia seguinte à entrega.

Como essas páginas são feitas

Existem ferramentas, o Lovable é a mais conhecida agora, em que você descreve o que quer numa mensagem e a inteligência artificial monta a página inteira: cores, textos, fotos, botões. Quem vende a página manda o nome da empresa e o serviço, ajusta duas ou três coisas e pronto.

Eu também uso inteligência artificial no meu trabalho. Para rascunhar um texto, para revisar, para ganhar tempo. Ela não é o problema. O problema é quando ninguém confere o que ela escreveu, porque ela não sabe nada sobre a sua empresa e preenche o que falta com o que parece certo.

Se quiser saber como é fazer uma página assim você mesmo, escrevi sobre isso em criar site com IA: vale a pena para o pequeno negócio?. Aqui o caso é outro: alguém fez por você e quer cobrar.

O que costuma estar inventado

Abra a página que te mandaram e confira três coisas. Não precisa perguntar nada a ninguém.

Os depoimentos. Leia os nomes. "Maria S., cliente satisfeita", "Carlos R." Você atendeu essas pessoas? Na página da desentupidora, nenhum dos três depoimentos era de cliente dele. A ferramenta escreveu o que um cliente feliz diria. Ele tinha quarenta avaliações reais no Google, com nome e data, e nenhuma estava na página.

Isso não é detalhe. Depoimento inventado é propaganda enganosa, que o Código de Defesa do Consumidor proíbe (art. 37). E quem lê com atenção percebe: depoimento sem sobrenome, sem bairro, todos com o mesmo jeito de escrever.

As fotos. São do seu trabalho, ou é aquele encanador sorrindo que nunca pisou na sua empresa? Foto de banco de imagem não engana quem já viu a sua van na rua, e não mostra o que o cliente quer ver: o serviço feito, o cano trocado, o antes e o depois. Escrevi sobre o que fotografar em fotos do serviço com celular: o que fotografar para vender.

Os números e as promessas. "Mais de 5.000 clientes atendidos", "atendimento em 30 minutos", "24 horas". Algum desses é seu? Se a desentupidora atende até as dez da noite e a página diz 24 horas, o primeiro cliente que ligar às três da manhã vai deixar uma avaliação de uma estrela no Google, e essa é real.

Como o Google lê essa página

Aqui é preciso ser honesto, porque tem muita coisa dita por aí que não é verdade.

O Google não castiga uma página por ter sido feita com inteligência artificial. Ele diz isso publicamente: o que conta é se o conteúdo é útil para quem buscou, não a ferramenta que o escreveu. Quem te disser que "o Google descobre e derruba" está exagerando.

O que ele faz é outra coisa.

Ignora as estrelas que a própria página dá para si. Desde 2019, o Google não mostra no resultado da busca a nota que uma empresa declara sobre ela mesma. As cinco estrelas da página bonita não aparecem para ninguém no Google. As que aparecem são as da ficha, as reais.

Não acha a página para o que o cliente procura. Quem está com o banheiro alagado digita "desentupidora no Setor Bueno" ou "desentupir pia Goiânia preço". Se a página fala em "soluções hidráulicas com excelência" e não diz os bairros, não diz que desentope pia, ralo e esgoto, não diz quanto custa a visita, ela não tem o que o Google precisa para mostrar ela. É bonita e invisível. Expliquei como funciona em como aparecer no Google na busca da sua cidade.

Esse é o ponto que mais pesa: não é a inteligência artificial, é o texto genérico.

No dia seguinte à entrega

A página está no ar. Em março o preço da visita sobe. Em maio ele passa a atender Aparecida de Goiânia. Em agosto troca de número.

Quem muda? Numa página feita assim, as mudanças são feitas conversando de novo com a ferramenta, na conta de quem montou. Ou a pessoa que vendeu faz, quando puder e se você pagar, ou ela te passa o acesso e você aprende a pedir as mudanças para a inteligência artificial, torcendo para ela não mexer no que estava certo. E essas ferramentas funcionam com créditos: cada pedido gasta um pouco. Acabou, ou espera, ou paga.

Na prática, a página fica do jeito que foi entregue. Bonita, com o número antigo.

É o mesmo problema de quem contratou um site e ficou refém de quem fez, que contei em quem mexe no seu site depois que ele fica pronto. A inteligência artificial só deixou o começo mais rápido.

O que traz cliente e não aparece na primeira olhada

Uma página que traz cliente tem três coisas que nenhuma ferramenta inventa, porque elas vêm de você.

Informação conferida. Os serviços com o nome que o cliente usa, os bairros e as cidades escritos, o preço ou a faixa de preço, o horário de verdade. Alguém precisa sentar com o dono e perguntar: você desentope fossa? Atende condomínio? Cobra a visita?

Prova real. As avaliações que você já tem no Google, com nome. As fotos do seu serviço.

Artigos que respondem o que o seu cliente pesquisa. Essa é a parte que quase ninguém oferece junto com a página, e a que mais rende com o tempo. Antes de chamar uma desentupidora, muita gente pesquisa "como desentupir pia com bicarbonato", "por que o ralo volta a entupir", "quanto custa desentupir esgoto". Um artigo no blog da própria página, escrito em cima dessas dúvidas e assinado pelo dono, aparece para essas buscas e leva o leitor até o botão de WhatsApp. É conteúdo que mostra ao Google, e ao cliente, que ali tem alguém que entende do assunto. Escrevi por que vale a pena em vale a pena ter um blog no site do seu negócio?.

Página bonita se faz em uma tarde. Isso aqui leva conversa e acompanhamento.

Antes de responder à proposta

Se te mandaram uma página dessas, compare com o que você já tem.

Os depoimentos são dos seus clientes? As fotos são suas? Os bairros que você atende estão escritos? O preço está certo? Se amanhã o telefone mudar, quem troca, em quanto tempo, e quanto custa?

Se a resposta for boa para tudo, ótimo, a página serve. Se não for, ela é uma vitrine bonita de uma empresa que não é a sua.

É assim que a gente trabalha aqui: a página é escrita a partir do que você conta, com as suas avaliações e as suas fotos, e você recebe três artigos escritos sobre as dúvidas dos seus clientes, que você lê e aprova antes de ir ao ar. Depois, você pede as mudanças pelo WhatsApp ou faz você mesmo pelo painel. Está tudo em sites profissionais.

Cristian F. Ritter

Cristian F. Ritter

Cristian Ritter é Engenheiro e Mestrando em Ciências da Computação. Apaixonado por tecnologia e com uma carreira de mais de 20 anos na área, trabalha com sites profissionais para negócios locais e cardápios digitais na ConectaPages desde a sua fundação em 2023.