Criar site com IA: vale a pena para o pequeno negócio?

Pense numa costureira de ajustes e consertos em Caxias do Sul. Ela faz barra de calça, troca zíper, aperta vestido de festa e reforma terno. Os clientes chegam por indicação e por quem passa na frente do ateliê. A sobrinha mostra no celular: "tia, agora a inteligência artificial faz site sozinha, é só escrever o que você quer".

E faz mesmo. Você escreve uma frase, espera um minuto e aparece um site inteiro, com cores, fotos, botões e textos. No Google, as buscas que mais sobem junto com "criar site" são nomes de ferramentas desse tipo, como Base44 e Lovable.

Eu vendo páginas para pequenos negócios, então leia o que vem com isso em mente. Mas a pergunta é justa: a costureira faz o site assim, numa tarde, e pronto?

A parte que a IA resolveu

Montar a página. Layout, cores que combinam, versão para celular, botão que funciona. O que antes levava dias, a ferramenta entrega enquanto você toma um café, e o resultado costuma ser bonito.

Muita gente diz que isso acabou com o trabalho de quem faz site. Eu concordo em parte: quem cobrava caro só para montar a página vai ter que se explicar. Mas montar nunca foi o que fazia um site de bairro trazer cliente. O que traz é outra coisa, e essa outra coisa a ferramenta não tem como saber sozinha.

O que traz cliente não está na frase que você escreveu

Para o site da costureira trazer gente, ele precisa responder o que a cliente quer saber antes de chamar:

  • quais ajustes ela faz, e quanto custa, pelo menos a partir de quanto;
  • quanto tempo demora: a barra fica pronta no mesmo dia? o vestido de festa precisa de quantos dias de antecedência?
  • em que bairro fica o ateliê, e se tem onde estacionar;
  • os horários, inclusive o de sábado;
  • fotos do trabalho dela, não de banco de imagens;
  • o que outras clientes acharam.

A ferramenta não sabe nada disso. Sabe o que você escreveu no pedido. Para o resto, ela completa com o que parece certo para "uma costureira", porque é assim que ela funciona: em vez de deixar em branco, preenche.

É assim que podem aparecer num site feito por IA frases como "mais de 15 anos de experiência" e "milhares de clientes satisfeitas", que ninguém disse. Depoimento com nome e sobrenome de cliente que não existe. "Atendemos toda a região" no lugar dos bairros. E serviços que ela não faz, como bordado.

A cliente que chama pedindo bordado, porque estava no site, e ouve que ali não se faz, sai achando que a página mente. E depoimento inventado com o nome do seu negócio, quando alguém percebe, apaga a confiança em todo o resto.

Dá para evitar, claro: escrever tudo direitinho no pedido, depois ler frase por frase e apagar o que foi inventado. Só que aí a parte demorada, que é escrever, voltou para você. A ferramenta tirou de você a montagem; a escrita continua sua. O que essa página precisa dizer, e em que ordem, está no artigo sobre o que escrever na página para o cliente chamar no WhatsApp.

Ser encontrada por quem ainda não conhece

A sobrinha vai mandar o link para a família, e a família vai achar lindo. Mas a costureira não precisa de um site para quem já é cliente. Precisa aparecer para quem procura "costureira em Caxias do Sul" ou "ajuste de vestido de festa" e nunca ouviu falar dela.

Para isso, a página tem que dizer com todas as letras o serviço e a cidade, no lugar onde o Google olha primeiro, e o perfil dela no Google Maps tem que apontar para a página. O perfil do Maps fica fora da ferramenta, e o título que o Google lê não é o que aparece grande na tela: os dois ficam para você conferir. Como deixar o perfil do Maps em dia eu explico no artigo sobre o Google Meu Negócio, e o caminho inteiro para aparecer na busca da cidade está em como aparecer no Google na busca da sua cidade.

Seis meses depois

O preço da barra sobe. A costureira para de reformar terno, porque não compensa. Entra a foto de um vestido de noiva que ela ajustou e ficou lindo. Muda o horário de sábado.

Cada mudança dessas precisa chegar no site, ou ele começa a dizer coisas que não valem mais, que é pior do que não ter site. Nas ferramentas em que tudo se faz conversando, você pede a mudança escrevendo. Às vezes sai certo de primeira. Às vezes ela troca o preço e, junto, mexe no parágrafo de cima ou na cor do botão. E se quem montou foi a sobrinha, a mudança espera a sobrinha ter tempo.

Não é motivo para desistir. É motivo para decidir, antes, quem vai cuidar. Falei das opções em quem mexe no seu site depois que ele fica pronto.

Três testes antes de mandar o link para os clientes

Se você fez o seu site com IA, ou vai fazer, faça isto antes de divulgar. Não precisa entender nada de site.

Mande o link para o seu próprio WhatsApp. Aparece a foto e o nome do seu negócio, ou um link sem nada? É assim que o seu site vai circular entre as clientes, e um link sem foto chama bem menos atenção.

Abra no celular, fora do Wi-Fi. Conte quantos segundos leva para aparecer o nome e o botão de chamar. Se você ficou impaciente, a cliente também fica, e ela volta para a busca.

Algumas semanas depois, procure no Google o seu serviço e a sua cidade. Não o nome do ateliê, que esse só quem já conhece procura. Se a página não aparece em lugar nenhum, o Google ainda não sabe que ela existe, ou não entendeu o que ela oferece.

E, antes de tudo, leia o site inteiro como se fosse uma cliente. Todo número, todo depoimento e todo serviço tem que ser seu.

O que a ferramenta faz melhor, e o que a gente faz

Vou ser honesto dos dois lados.

A ferramenta de IA é melhor se você gosta de mexer, tem tempo e quer liberdade total no visual. Também é ótima para coisas passageiras: uma página para um bazar, uma promoção de fim de ano. Somei os custos de manter uma página no ar, item por item, no artigo sobre quanto custa manter uma página no ar.

Na página que a gente faz, a ordem é a contrária: primeiro a conversa, depois a página. Quem escreve somos nós, a partir do que você conta sobre o seu trabalho, e nada é inventado: se você ainda não tem depoimento, a página não tem depoimento. Você lê e pede as mudanças que quiser. Ela já nasce feita para a busca da cidade, com o serviço e a cidade onde o Google olha primeiro, as cidades que você atende, os horários, o botão de WhatsApp, os serviços com preço se você quiser, e as fotos do seu trabalho, que você manda.

Depois de pronta, mudou alguma coisa, você pede no WhatsApp ou muda você mesmo pelo painel, na hora; os ajustes do dia a dia estão incluídos. E tem blog no mesmo endereço: os três primeiros artigos a gente escreve de graça, a partir das perguntas que os seus clientes já fazem.

Uma diferença que vale saber antes: a página que a gente faz é montada pelo nosso sistema, não é um arquivo que você leva embora. O endereço só vai junto se for um domínio seu apontado para cá; no padrão, ele fica dentro do nosso (seunegocio.conectapages.com). Se um dia você sair, os textos e as fotos são seus, e a página é montada de novo em outro lugar.

Funciona? O Élcio, da Cutelaria Wandscheer, em Capão da Canoa, escreveu para a gente: "Tenho recebido contatos de clientes que me encontraram pelo Google." É para isso que a página existe.

São R$ 29,90 por mês, sem taxa de criação e sem fidelidade. Se quiser ver como fica a sua: sites profissionais.

Cristian F. Ritter

Cristian F. Ritter

Cristian Ritter é engenheiro e fundador da Conecta Pages, uma empresa especializada em soluções de marketing digital e criação de páginas de captura. Com uma carreira de mais de 15 anos no setor de tecnologia, o autor tem ajudado inúmeras empresas a estabelecerem e expandirem sua presença online.