Pense numa vidraçaria em Ponta Grossa. Box de banheiro, espelho sob medida, janela de vidro temperado, tampo de mesa. A maior parte do serviço chega por indicação, e o resto por quem acha a vidraçaria no Google Maps.
Um dia, medindo um box, o dono ouve da cliente: "nem procurei no Google, perguntei pro ChatGPT qual vidraçaria daqui faz box até o teto, e ele me deu três nomes". O dele estava entre os três. Sorte? E da próxima vez, vai estar?
Daí vem a pergunta que tenho ouvido bastante: para aparecer nessas respostas de inteligência artificial, a empresa precisa ter site?
Eu vendo páginas para pequenos negócios, então leia o que vem com isso em mente. A resposta curta é: para aparecer, nem sempre. Para a resposta sair certa, quase sempre.
A IA não tira a lista da cabeça: ela procura antes de responder
Quando alguém pergunta por um serviço numa cidade, o ChatGPT, o Gemini e a resposta de IA que aparece no topo do Google não respondem de memória. Eles fazem uma busca, leem o que encontram e resumem.
O que cada um consulta, segundo as próprias empresas:
- A resposta de IA do Google usa as páginas que o Google já conhece. O Google diz, na documentação para quem tem site, que basta a página estar no Google e poder aparecer na busca comum. E recomenda manter o Perfil da Empresa (o antigo Google Meu Negócio) em dia.
- O Gemini, quando consulta o Google Maps, responde a partir do endereço, do horário, da nota e das avaliações que estão lá. É o Google quem descreve assim a ligação entre os dois.
- O ChatGPT busca na internet por meio de parceiros de busca, usa a sua localização aproximada para achar resultados da cidade e recorre a empresas que fornecem listas de negócios locais. A OpenAI não diz quais são.
Juntando os três, a resposta sai de três lugares: a ficha no Google Maps, as páginas que falam de você na internet (a sua e as dos outros) e as avaliações dos clientes.
A resposta costuma vir com o link de onde a informação saiu. Se ela saiu da sua página, o link é seu.
Então dá para aparecer sem site?
Dá. Uma vidraçaria com a ficha do Google bem preenchida, a categoria certa e quarenta avaliações tem boa chance de entrar na lista quando alguém pergunta "vidraçaria em Ponta Grossa". O site não é a porta de entrada dessa resposta: a ficha é.
Por isso, se você ainda não tem a ficha, comece por ela. Ela é grátis, e o passo a passo está no artigo sobre o Google Meu Negócio.
Uma discordância, aproveitando. Já tem gente vendendo "otimização para IA" para pequeno negócio, com arquivo especial para os robôs, marcação nova no site e relatório mensal de quantas vezes você apareceu no ChatGPT. O Google escreveu com todas as letras que não precisa de arquivo especial, nem de marcação especial, para aparecer nas respostas de IA dele. Para uma vidraçaria, a "otimização para IA" é a mesma lição de casa de sempre: ficha em dia, avaliações e uma página que diga o que você faz e onde. Eu não pagaria à parte por isso.
Onde o site faz falta: na segunda pergunta
A cliente do box não parou nos três nomes. Ela continuou perguntando:
- "Qual delas instala box até o teto?"
- "Alguma atende em Carambeí?"
- "Quanto custa, mais ou menos, um box de vidro temperado de 1,20 m?"
- "Qual tem vidro fumê?"
A ficha do Google não responde nada disso. Ela tem nome, endereço, telefone, horário, categoria e uma descrição curta, de até 750 caracteres. Quem responde essas perguntas é um texto escrito em algum lugar. Se a vidraçaria tem uma página dizendo que faz box até o teto, atende Ponta Grossa, Carambeí e Castro, e que o box de 1,20 m começa em tanto, a IA lê, responde e põe o link.
Se esse texto não existe em lugar nenhum, acontece uma de duas coisas. A IA diz que não encontrou, e a cliente segue com a vidraçaria que tinha a informação. Ou a IA completa com o que achou em outro lugar: o preço de uma tabela de outra cidade, o serviço que outra vidraçaria faz. É o mesmo jeito de funcionar que faz um site gerado por IA inventar "15 anos de experiência", que expliquei no artigo sobre criar site com IA. Ela não gosta de deixar em branco.
É aqui que a pergunta do título tem a resposta mais honesta. O site não é o que faz você aparecer na lista. É o que faz a IA saber o que dizer de você depois que você apareceu.
E o Instagram, não conta?
Conta pouco para isso. O que a vidraçaria mais publica no Instagram é foto de box instalado, e foto diz pouco a quem lê texto. O preço apareceu num story, que sumiu em 24 horas. As cidades atendidas estão numa legenda de março, no meio de outras duzentas.
O Instagram é ótimo para quem já te segue ver o seu trabalho. Para responder uma pergunta de quem nunca ouviu falar de você, a informação precisa estar num lugar fixo, organizado e fácil de ler. Falei mais disso em só tenho Instagram: preciso mesmo de um site?
O teste que dá para fazer hoje, em dez minutos
Abra o ChatGPT ou o Gemini no celular, do jeito que um cliente faria, e pergunte pelo seu serviço na sua cidade: "vidraçaria em Ponta Grossa que faz box de banheiro". Veja se você aparece.
Depois, pergunte sobre você pelo nome: "a Vidraçaria Tal instala box no mesmo dia?", "qual o telefone da Vidraçaria Tal?". Clique nos links que a resposta mostra e veja de onde ela tirou cada coisa.
O que mais aparece nesse teste não é a empresa sumida. É a informação velha: o telefone que você trocou há dois anos, que continua num site de lista de empresas; o endereço antigo, que ficou na ficha; um serviço que você parou de fazer. A IA não sabe qual dos dois está certo. Quando o mesmo dado aparece igual na ficha, na página e no Instagram, a chance de ela errar cai bastante.
Dois cuidados para não tirar conclusão errada. A resposta muda de pessoa para pessoa, porque leva em conta onde ela está, e muda de um dia para o outro. Um teste só não diz muito: repita em outra semana, e peça para alguém de outro bairro fazer também. E não pergunte "qual a melhor vidraçaria": quem pergunta isso para a IA é você, não o seu cliente, que costuma perguntar pelo serviço.
A ordem que eu seguiria
Se eu tivesse a vidraçaria e uma tarde livre por semana, faria nesta ordem:
- A ficha do Google, com a categoria certa, o horário de verdade, fotos do seu trabalho e o telefone que você atende.
- As avaliações. Peça para o cliente satisfeito, na hora em que ele elogia o box instalado. É delas que sai a nota que a IA repete, e o que os clientes escreveram é o que ela usa para dizer como é o seu atendimento.
- Uma página que responda a segunda pergunta: os serviços, as cidades que você atende pelo nome, o preço a partir de quanto, o prazo e o botão do WhatsApp. O que escrever, e em que ordem, está no artigo sobre o que escrever na página para o cliente chamar no WhatsApp.
- Os mesmos dados em todo lugar. Telefone, endereço e horário iguais na ficha, na página e no Instagram.
Repare que nada disso é novo. É o mesmo caminho para aparecer na busca comum do Google, que detalhei em como aparecer no Google na busca da sua cidade. A IA não criou uma corrida nova. Ela lê o que já estava lá, e premia quem escreveu.
A página que a gente faz
É o item 3 da lista. A gente escreve a página com você, a partir do que você conta do seu trabalho: os serviços, as cidades pelo nome, o preço se você quiser, os horários, as fotos que você manda e o botão do WhatsApp. Nada é inventado, e os robôs de busca, inclusive os das IAs, podem ler tudo. Mudou o preço ou o horário, você pede no WhatsApp ou muda você mesmo pelo painel.
O Élcio, da Cutelaria Wandscheer, em Capão da Canoa, escreveu para a gente: "Tenho recebido contatos de clientes que me encontraram pelo Google."
São R$ 29,90 por mês, sem taxa de criação e sem fidelidade. Se quiser ver como fica a sua: sites profissionais.