Aparece no Maps mas não tem para onde mandar o cliente

Aparece no Maps mas não tem para onde mandar o cliente

Pense num frete pequeno de Gravataí: um caminhão baú, dois ajudantes, mudança de apartamento e carreto de loja. Tem ficha no Google, 24 avaliações, nota 4,9. Quando alguém procura "frete e mudança Gravataí", ele aparece no mapa.

E o telefone toca. Só que metade das ligações é a mesma conversa: "quanto fica pra levar um apartamento de dois quartos pra Cachoeirinha?", "vocês desmontam guarda-roupa?", "fazem no sábado?". Ele responde tudo, de novo, entre uma carga e outra. Uma parte fecha. A outra agradece e some.

E tem um terceiro grupo, o que mais custa, que ele nunca vai conhecer: quem abriu a ficha, não achou resposta para nada disso e ligou para o concorrente de baixo, que tinha.

Esse artigo é sobre esse terceiro grupo.

O que a ficha mostra, e o que ela não tem onde pôr

A ficha do Google (o antigo Google Meu Negócio, hoje Perfil da Empresa no Google) é muito boa no que se propõe: nome, nota, telefone, horário, fotos, um botão de ligar e um de rota. Se você ainda não tem a sua, comece por ela. O passo a passo está em o que é o Google Meu Negócio e por que ter um perfil.

Ela foi desenhada para responder "quem é, onde fica, está aberto?". Para uma pizzaria, isso é quase tudo que o cliente precisa saber.

Para quem vende serviço, é o começo. Quem vai fazer uma mudança quer saber outras coisas antes de pegar o telefone:

A ficha até tem uma lista de serviços e um campo de descrição com 750 caracteres. Tente colocar as quatro respostas acima ali, com as exceções de cada uma, e você vai ver onde isso para. E a lista de serviços fica numa aba que quem está com pressa, rolando três fichas no celular, não abre.

Quem não liga não deixa rastro

A ligação que chega você vê. Dá para contar, dá para reclamar que é "só gente pedindo preço".

Quem desistiu antes de ligar não aparece em lugar nenhum. E é justamente esse o cliente que compara: abre três fichas, olha as fotos, lê duas avaliações e vai atrás de quem responde a pergunta dele sem precisar perguntar.

Muita gente conclui que "o Google não traz cliente bom", porque o que chega é quem liga sem saber nada e pede desconto. Eu discordo dessa leitura. O Google traz os dois tipos. O que chega pelo telefone é o tipo que aceita ligar no escuro; o que decide antes, com calma, foi para quem deu informação.

Para onde aponta o seu botão "site"?

Toda ficha tem um campo "site". É o caminho natural de quem quer saber mais antes de ligar, e é o que mais vejo apontando para o lugar errado. Três casos comuns:

Aponta para nada. O botão nem aparece. A ficha termina ali.

Aponta para o Instagram. Melhor que nada, mas o feed é organizado por data, não por pergunta. A foto do caminhão carregado de março está entre um vídeo de ajudante dançando e um story repostado. Preço, região e como pedir orçamento, se estiverem, estão numa legenda de oito meses atrás. Escrevi mais sobre essa diferença em só tenho Instagram: preciso mesmo de um site?.

Aponta para um site que morreu. Durante alguns anos o próprio Google oferecia um site simples, gerado a partir da ficha, com endereço terminado em .business.site. Muita empresa pequena usava. O Google desligou esses sites em 2024. Se o seu botão ainda aponta para um endereço desses, quem clica cai numa página de erro. Vale abrir a sua ficha agora e conferir, leva dez segundos.

O que a página responde que a ficha não responde

A página não substitui a ficha. As duas fazem trabalhos diferentes: a ficha põe você no mapa, a página responde o que a ficha não comporta e manda a pessoa para o WhatsApp já sabendo o que quer.

Para o frete de Gravataí, eu colocaria nesta ordem:

  1. O que vocês fazem, com as palavras que o cliente usa. "Mudança residencial", "carreto", "frete para loja", "mudança com montagem de móveis". Cada um com uma frase, e com um "a partir de" onde der.
  2. As cidades atendidas, uma por uma. Gravataí, Cachoeirinha, Canoas, Porto Alegre, Alvorada, Glorinha. Escrever os nomes é o que faz a página aparecer quando alguém procura "mudança em Alvorada", e é o que responde "vocês vêm até aqui?" antes da pergunta. O efeito disso na busca está explicado em como aparecer no Google na busca da sua cidade.
  3. O que está incluído e o que é à parte. Desmontagem, embalagem, escada, espera. Isso evita a discussão no dia da mudança, que é a que gera avaliação de uma estrela.
  4. Como pedir orçamento. "Mande pelo WhatsApp as fotos dos cômodos e os dois endereços. A gente responde com o valor." Uma instrução dessas corta pela metade a conversa de ida e volta.
  5. Fotos do trabalho de verdade. O caminhão, os cobertores protegendo o sofá, a geladeira amarrada. Foto de banco de imagem de família sorrindo com caixa de papelão não convence ninguém.
  6. As avaliações. As mesmas que estão na ficha, trazidas para perto do botão.

Nenhum desses itens é marketing. É o que você já explica no telefone, escrito uma vez só.

Nem todo negócio precisa disso

Vou ser justo com a ficha: tem negócio em que ela resolve sozinha.

Uma borracharia é o exemplo mais claro. Quem procura "borracharia perto de mim" está com o pneu furado no acostamento. Não quer ler nada. Quer ver se está aberto, tocar em "ligar" ou em "rota". Uma página ali pouco muda a decisão; horário certo e telefone atendido mudam tudo.

A página faz diferença quando o cliente escolhe com calma e tem perguntas antes de ligar: mudança, reforma, festa, estética, aula particular, conserto de coisa cara. Quanto maior o valor e mais específico o serviço, maior a distância entre o que a ficha mostra e o que a pessoa precisa saber.

Como saber que o cliente veio pela página

Uma vantagem que pouca gente considera: o botão de WhatsApp da página pode abrir a conversa com uma mensagem já escrita. Nas páginas que a gente monta, ela é "Olá, te encontrei através da ConectaPages e gostaria de saber mais sobre os seus serviços". Quando essa frase chega, você sabe de onde a pessoa veio. Pela ficha, quase sempre é só um número ligando.

Foi assim que o Élcio Wandscheer, da Cutelaria Wandscheer, em Capão da Canoa, viu a página funcionando: os primeiros contatos chegaram com a mensagem padrão da página. Nas palavras dele: "Tenho recebido contatos de clientes que me encontraram pelo Google."

E quando a conversa começa, a saudação automática do WhatsApp segura a pessoa enquanto você está com as mãos ocupadas. Como montar uma está em como criar uma mensagem de saudação no WhatsApp.

O que eu faria nesta semana

  1. Abrir a sua ficha no celular, como se fosse um cliente, e tocar no botão "site". Onde ele leva?
  2. Anotar, durante três dias, as perguntas que se repetem no telefone e no WhatsApp. Costumam ser quatro ou cinco.
  3. Escrever uma resposta curta para cada uma, com os nomes das cidades e um "a partir de" onde couber.
  4. Colocar isso numa página com botão de WhatsApp, e apontar o "site" da ficha para ela.

O passo 2 é o que mais rende, e não custa nada. Mesmo que você nunca faça a página, a lista de perguntas melhora a descrição da ficha e vira resposta pronta no WhatsApp.

Se quiser que a gente monte a página a partir dessa lista, é o que fazemos em sites profissionais, por R$ 29,90 por mês, sem taxa de criação.

Cristian F. Ritter

Cristian F. Ritter

Cristian Ritter é engenheiro e fundador da Conecta Pages, uma empresa especializada em soluções de marketing digital e criação de páginas de captura. Com uma carreira de mais de 15 anos no setor de tecnologia, o autor tem ajudado inúmeras empresas a estabelecerem e expandirem sua presença online.