Quem mexe no seu site depois que ele fica pronto

Quem mexe no seu site depois que ele fica pronto

O site ficou pronto em março. Em junho a marcenaria trocou de número, e o telefone antigo continua no rodapé até hoje.

Não é preguiça do dono. Ele mandou mensagem para a agência, recebeu um "vamos ver", depois um orçamento, e no meio disso entrou um armário de cozinha com prazo apertado. O site ficou para depois. Em setembro alguém liga para o número velho, ninguém atende, e o cliente fecha com outro marceneiro de Novo Hamburgo.

Essa é a conversa que eu mais ouço de quem chega aqui depois de já ter tido um site. Quase nunca a reclamação é sobre o site em si — ele costuma ser bonito. É sobre o que acontece depois que ele fica pronto, uma pergunta que quase ninguém faz na hora de contratar.

O site é entregue, e congela

O jeito mais comum de contratar um site funciona assim: você paga um valor para ele ser feito, ele é entregue, e a partir dali cada mudança é um serviço à parte.

Faz sentido do lado de quem faz. Mexer em código leva tempo, e tempo de profissional custa. Não tem nada de desonesto nisso.

O problema está do seu lado. Quando trocar um preço custa dinheiro e três dias de espera, você para de trocar. O site vai ficando parecido com o negócio de dois anos atrás: o serviço que você não faz mais continua lá, o que você começou a fazer não aparece, a foto da oficina é da oficina antiga.

E um site desatualizado trabalha contra. A pessoa que chega nele e liga para um número que não existe mais não pensa "o site está velho". Pensa "essa empresa fechou".

As quatro coisas que eu mais escuto

Juntando o que os clientes contam, o padrão se repete bastante.

Toda alteração vira pedido. Trocar o horário de sábado, tirar um serviço, subir a foto do último trabalho. Cada uma é uma mensagem, uma espera e, muitas vezes, uma cobrança. Individualmente é pouco; somado, é o motivo de ninguém atualizar nada.

Não existe onde clicar. O dono do negócio não tem uma tela para mudar uma linha. Se quiser mudar, precisa pedir. Mesmo quando a agência é rápida e cobra barato, depender de alguém para trocar um telefone é um passo a mais que, na correria, não acontece.

As senhas não estão com ele. Nem a do painel onde o site está hospedado, nem a do domínio. Muita gente não sabe dizer onde o site fica, nem em nome de quem o endereço foi registrado. Isso só vira problema no dia em que precisa — e aí vira problema grande.

E falta vocabulário para cobrar. Domínio, DNS, hospedagem, certificado. Quem trabalha com madeira não tem obrigação de saber o que é isso, mas fica numa posição ruim para negociar: não sabe se o prazo que disseram é razoável, se o valor é justo, nem o que perguntar.

Nenhuma dessas quatro depende de má-fé. Acontecem com agências sérias, porque são consequência do modelo — site feito sob medida, mantido por quem fez.

Antes de contratar, faça cinco perguntas

Vale para qualquer fornecedor, inclusive para nós. Se a resposta vier vaga, peça por escrito.

  1. Se eu quiser trocar o telefone, o que eu faço? A resposta boa descreve um caminho: "você entra aqui e muda" ou "manda mensagem e em tanto tempo está no ar, sem custo". A ruim é "a gente vê".
  2. Quanto custa uma alteração pequena? Um valor, ou "está incluído na mensalidade". Se for por hora, pergunte quanto tempo leva trocar um preço.
  3. Em nome de quem fica o domínio? Se o endereço é seu (tipo suamarcenaria.com.br), o titular do registro tem que ser você, com seu CPF ou CNPJ.
  4. Quem tem as senhas? Você deveria receber o acesso ao registro do domínio. O da hospedagem depende do modelo, mas saiba pelo menos onde está.
  5. Se um dia eu quiser sair, o que eu levo? Essa quase ninguém pergunta. É a mais importante.

O roteiro completo do que avaliar antes de fechar — incluindo fazer sozinho numa plataforma pronta — está em como criar um site para o seu negócio.

Como conferir se o domínio está no seu nome

Isso dá para fazer hoje, em dois minutos, sem pedir nada a ninguém.

Se o seu endereço termina em .br, entre no site do Registro.br e procure a ferramenta Whois (não a busca de domínio livre, que só diz se o nome está disponível). Digite o seu endereço. Vai aparecer o titular e o documento dele.

Se aparecer o seu nome ou o CNPJ da sua empresa, ótimo. Se aparecer o nome da agência, ou de uma pessoa que você nem conhece, vale conversar agora — com calma, enquanto a relação está boa. Na maioria das vezes foi só comodidade na hora do cadastro, e a transferência resolve.

O que você não quer é descobrir isso no dia em que decidir trocar de fornecedor.

O que "levar embora" quer dizer de verdade

Aqui eu preciso ser honesto sobre o nosso próprio caso, porque é justamente onde muita propaganda exagera.

Existem duas coisas diferentes: o endereço e a página.

O endereço é portátil, desde que seja seu. Quem tem domínio próprio pode, a qualquer momento, apontar esse domínio para outro lugar. Quem usa um endereço dentro do nosso (do tipo suamarcenaria.conectapages.com) não paga domínio, mas também não leva esse endereço.

A página não é portátil, nem aqui nem na maioria dos serviços parecidos. Ela não é um arquivo numa pasta que dá para copiar. É montada pelo sistema, na hora, a partir dos seus dados: textos, serviços, fotos, avaliações. Se você sair, leva o conteúdo e alguém remonta a página em outro lugar.

Não é um detalhe técnico. Vale saber disso antes de assinar, e vale perguntar o mesmo a qualquer fornecedor, porque a resposta de quase todos é parecida — só que nem todos dizem.

Como a gente resolveu isso aqui

A pergunta "quem mexe depois?" foi o que mais pesou quando desenhamos a ConectaPages. A resposta que escolhemos tem duas portas abertas ao mesmo tempo.

Você pede, a gente faz. Mandou mensagem pedindo para trocar o horário ou incluir um serviço, está feito — faz parte da mensalidade, não vira orçamento.

Ou você mesmo faz, na hora. Existe uma tela de edição onde o dono do negócio muda sozinho o telefone, o endereço, o horário, os textos, a lista de serviços com o preço de cada um, as avaliações e as fotos. Sem instalar nada, pelo navegador do celular. O marceneiro que trocou de número faz a troca no intervalo do almoço e acabou.

Uma não substitui a outra. Tem cliente que nunca abriu a tela e prefere mandar áudio. Tem cliente que atualiza a galeria toda semana com o móvel que acabou de entregar. As duas formas estão incluídas nos R$ 29,90 por mês, junto com a hospedagem e o suporte. A conta detalhada do que custa manter uma página no ar, com e sem a gente, está em quanto custa manter uma landing page no ar depois de pronta.

Quando contratar uma agência é a escolha certa

Não quero que este texto soe como "agência é ruim". Não é.

Se você precisa de um site com sistema próprio — orçamento de móveis por medida calculado na tela, área de cliente com projeto em 3D, integração com o estoque — isso é trabalho sob medida, e uma boa agência faz melhor que qualquer plataforma pronta. Paga-se mais porque tem mais trabalho.

Também faz sentido quando alguém da agência cuida do seu marketing como um todo, com gente acompanhando todo mês. Aí o site é uma peça de um serviço maior, e o custo de alteração já está dentro.

O que eu não recomendo é pagar por um site sob medida quando o que você precisa é o básico bem feito: quem você é, o que faz, onde atende, quanto custa e como chamar no WhatsApp. Para isso, o modelo de mensalidade com edição livre costuma sair mais barato no primeiro ano e muito mais barato no terceiro — porque o site continua atualizado sem virar uma conta a cada mudança.

Se você já tem um site e está preso nele

Não precisa jogar nada fora. Comece pelo que é seu.

Confira o titular do domínio, como descrito acima. Peça, por escrito, os acessos que forem seus. Pergunte quanto custa cada tipo de alteração e anote. Com isso na mão você decide com calma, sem ser refém de ninguém — nem da agência atual, nem da próxima.

E aproveite para fazer o teste da busca: digite o seu serviço mais a sua cidade no celular de outra pessoa e veja se você aparece. Explico como ler essa tela em como aparecer no Google na busca da sua cidade. Um site bonito que ninguém encontra tem o mesmo problema de um site que ninguém atualiza.

Se quiser ver como é a página e a tela de edição, estão descritas em sites profissionais. E se a dúvida for sobre o seu caso, chama a gente — inclusive para perguntar as cinco coisas lá de cima.

Cristian F. Ritter

Sobre o autor

Cristian Ritter é engenheiro e fundador da Conecta Pages, uma empresa especializada em soluções de marketing digital e criação de páginas de captura. Com uma carreira de mais de 15 anos no setor de tecnologia, o autor tem ajudado inúmeras empresas a estabelecerem e expandirem sua presença online.