Essa pergunta aparece em quase toda conversa de orçamento, e ela é legítima. O perfil já tem foto do trabalho, já tem o WhatsApp no topo, já traz clientes. Por que pagar por mais alguma coisa?
Vou responder do jeito que respondo no telefone, inclusive a parte que não me favorece: tem gente que não precisa de site. Vale entender em qual dos dois grupos você está antes de gastar.
O que o Instagram faz bem
Faz três coisas que um site não faz.
Mantém você na frente de quem já te conhece. A pessoa que te segue vê o trabalho de hoje, lembra que você existe e chama quando precisa. Isso é relacionamento, e nenhuma página substitui.
Mostra rotina. Vídeo de dez segundos da placa sendo soldada, foto da borracha velha da geladeira ao lado da nova, a máquina de lavar aberta na bancada — esse tipo de prova convence mais que texto.
E é barato de alimentar. Você posta do celular, na hora, sem depender de ninguém.
Se alguém disser que rede social não serve para negócio local, desconfie. Serve, e bem.
O que ele não faz
Aqui começa o problema, e ele tem um nome: busca.
Quando a geladeira de alguém para de gelar hoje à tarde, essa pessoa não abre o Instagram e procura "assistência técnica". Ela pega o Google e digita o serviço mais a cidade — com a marca junto, se souber. O buscador responde com anúncios, com o mapa e com páginas. Perfil de rede social praticamente não aparece ali — no máximo quando alguém digita o nome da sua empresa, ou seja, quando já sabe que você existe.
Já escrevi sobre esse encontro entre os dois mundos em Google e redes sociais: quando os algoritmos são aliados. A conclusão curta: eles fazem trabalhos diferentes, e um não cobre o buraco do outro.
Tem uma segunda coisa, menos óbvia. O perfil é terreno alugado. Você não decide o alcance, não decide o formato que vai ser empurrado neste semestre, e não decide se a conta continua no ar. Toda semana alguém conta que perdeu o acesso — invasão, denúncia automática, recuperação que não vem. No dia em que isso acontece, o negócio não some junto se existir um endereço seu em algum lugar.
Não tenho número oficial da Meta sobre alcance e não vou inventar um. O que eu vejo, na prática, é que post de negócio local chega a uma fração dos seguidores, e que a fração encolhe quando você posta menos.
Quando ficar só no Instagram é decisão certa
Falo sério: em alguns casos, site é dinheiro parado.
Se você vende para um círculo conhecido — colegas, vizinhança, indicação de família — e não quer mais volume do que já tem, o perfil resolve. Se é renda extra, sem intenção de crescer, resolve também. Se o seu produto é visual e impulsivo, tipo bolo decorado para vizinhança, o feed vende melhor que qualquer página.
O momento de mudar é quando você começa a ouvir "procurei e não te achei", ou quando você depende de indicação para o telefone tocar. Aí o que falta não é conteúdo: é estar no lugar onde as pessoas procuram.
O que uma página faz que o perfil não faz
Não é nada mágico. É o básico, escrito onde o Google consegue ler:
Aparecer na busca por serviço mais cidade. É o que traz cliente que nunca ouviu falar de você.
Dizer o que você faz, com preço ou faixa de preço. A maioria dos perfis não responde isso, e a pessoa desiste antes de perguntar. Quem manda mensagem já decidido converte muito melhor.
Ter endereço próprio. Um link que você põe na bio, no cartão, no adesivo do carro, no anúncio — e que continua existindo independente de qualquer plataforma.
Levar direto para o WhatsApp, de preferência com mensagem já preenchida. Se você ainda não configurou a saudação automática, vale ler como criar uma mensagem de saudação no WhatsApp.
Guardar as avaliações. No feed elas somem em duas semanas; na página, ficam.
Um teste de três minutos, antes de decidir qualquer coisa
Pegue o celular de outra pessoa — não o seu, porque o seu Google já sabe quem você é.
Digite o serviço que você presta mais o nome da sua cidade. Só isso, do jeito que um cliente digitaria: "conserto de máquina de lavar em Balneário Camboriú", "assistência geladeira Brastemp Sapiranga".
Agora olhe a tela e responda três perguntas. Você aparece em algum lugar? Aparece o quê — anúncio, mapa, link? E quem está nas três primeiras posições é melhor que você no serviço, ou só está mais bem colocado?
Faço esse teste na frente do cliente, em reunião, e ele encerra a conversa mais rápido que qualquer argumento meu. Na maioria das vezes o que aparece é uma loja grande de outro estado, um marketplace e um concorrente da cidade vizinha que escreveu duas frases no lugar certo.
Se você aparecer bem, ótimo: guarde o dinheiro. Se não aparecer, agora você sabe exatamente o que está faltando, e não é post.
E quanto custa isso
É a parte que trava a decisão, então vou ser direto.
Aqui custa R$ 29,90 por mês, com hospedagem, domínio na nossa estrutura, atualização de conteúdo e suporte. Não é preço promocional nem isca: é o que cobramos porque a página é montada sobre a mesma base que já serve os outros clientes. O detalhamento do que se paga depois que ela fica pronta está em quanto custa manter uma landing page no ar.
Compare com o que você cobra por um serviço. Uma troca de resistência, uma visita de diagnóstico, um motor de máquina de lavar: um atendimento pequeno paga vários meses. A conta não é "quanto custa", é "quantos clientes novos por ano tornam isso irrelevante". Costuma ser um.
E se a resposta honesta for "nem um cliente novo por mês eu consigo prever", então talvez o problema não seja site nem perfil: é oferta, preço ou região. Prefiro dizer isso do que vender uma página que não vai render.
O que eu faria no seu lugar
Manteria o Instagram exatamente como está. Nada de migrar, nada de abandonar.
Colocaria uma página com os serviços escritos do jeito que o cliente fala, as cidades atendidas, as avaliações que você já tem e o botão de WhatsApp. O roteiro está em como criar um site para o seu negócio, e serve tanto para fazer sozinho quanto para saber o que cobrar de quem for fazer.
Depois amarraria os dois: link da página na bio, link da página no Google Meu Negócio, e o perfil seguindo o trabalho do dia a dia. Quem já te conhece continua no feed; quem está procurando agora chega pela busca.
Se quiser ver como montamos essa página, ela está descrita em sites profissionais — e se for o caso de só tirar dúvida antes de decidir, fale com a gente. Digo com franqueza se, no seu caso, o perfil já basta.