Como aparecer no Google na busca da sua cidade

Como aparecer no Google na busca da sua cidade

Alguém em Sapiranga pega o celular e digita "afiador de facas perto de mim". A tela responde em menos de um segundo, e essa pessoa vai escolher entre o que apareceu ali. Não entre os melhores profissionais da cidade — entre os que apareceram.

É uma diferença incômoda, e é a única que importa no momento da compra.

Trabalho com isso há alguns anos e a conversa começa quase sempre do mesmo jeito: "eu já tenho Instagram, já tenho o WhatsApp Business, por que não me acham?". A resposta curta é que a busca local não olha para o seu perfil. Ela olha para três coisas, e vale entender quais são antes de gastar um real.

Os três blocos da tela

Faça o teste agora, no seu celular, com o serviço que você presta mais a cidade onde você atende.

No topo aparecem os anúncios. São as empresas pagando por clique. Custa entre R$ 1 e R$ 6 o clique em serviços locais, dependendo da concorrência, e o resultado some no dia em que você parar de pagar.

Embaixo vem o mapa, com três empresas em destaque. Esse bloco é alimentado pelo perfil do Google Meu Negócio: nome, endereço, horário, avaliações, distância de quem procurou.

Depois vêm os links azuis. São páginas. Não perfis de rede social, não posts — páginas com endereço próprio, que o Google leu, entendeu do que tratam e guardou.

Quem aparece nos três blocos ao mesmo tempo praticamente fecha o assunto. Quem não aparece em nenhum depende de indicação, e indicação é ótima, mas não escala e não acontece às dez da noite, que é quando metade das pessoas procura serviço.

Por que o Instagram não te coloca ali

Já ouvi de um cliente que ele não precisava de site porque tinha 4 mil seguidores. Ele tinha razão sobre uma coisa: para quem já conhece o trabalho dele, o perfil resolve.

O problema é o outro caso, que é o que traz dinheiro novo: a pessoa que não te conhece e está procurando agora. Essa pessoa não busca seu nome, ela busca o serviço. E o buscador do Google não entra no Instagram para ler suas publicações; no máximo mostra o perfil quando alguém digita o nome da sua empresa — ou seja, quando já sabe que você existe.

Rede social serve para quem já te achou. Busca serve para quem ainda não.

O Google Meu Negócio é obrigatório, e não é suficiente

Se você ainda não tem ficha no Google Meu Negócio, pare de ler e crie a sua. É grátis, leva uns vinte minutos e é o que coloca você no mapa. Já escrevi um passo a passo disso em o que é o Google Meu Negócio e por que é importante ter um.

Feito isso, vem a pergunta que quase ninguém faz: a ficha manda o cliente para onde?

Tem gente com perfil bonito, 30 avaliações cinco estrelas, e o botão "site" apontando para o Instagram ou para nada. A pessoa clica, cai num feed de fotos sem preço, sem lista de serviços, sem nada que responda "vocês atendem na minha cidade e quanto custa?" — e volta para a busca, onde o concorrente está esperando.

O perfil coloca você na vitrine. A página é onde a venda acontece.

O que a página precisa ter para a busca local funcionar

Não é segredo nem truque. É escrever, nas palavras do cliente, o que você faz e onde.

O serviço com o nome que o cliente usa. "Afiação de facas, tesouras e alicates de cutícula" funciona; "soluções em corte profissional" não funciona, porque ninguém digita isso. Se você tem dúvida sobre o termo, olhe o que os clientes escrevem no WhatsApp quando pedem orçamento. É aquela palavra.

As cidades e bairros, escritos. Se você atende Sapiranga, Araricá, Campo Bom e Nova Hartz, essas quatro palavras precisam estar no texto. Não adianta "atendemos toda a região": região não é um lugar que alguém digita.

Endereço e horário iguais aos do Google Meu Negócio. Divergência entre os dois é um dos motivos mais bobos de perder posição, e um dos mais comuns.

Fotos do seu trabalho, não do banco de imagens. A foto genérica de uma bancada limpa não vende; a foto da faca que você afiou vende. E vale caprichar no enquadramento, porque é a primeira coisa que a pessoa vê.

Um botão de WhatsApp visível. A maioria não liga, não preenche formulário e não manda e-mail. Manda mensagem.

As avaliações que você já tem. Se o cliente escreveu "trabalho impecável, afiação rápida", isso precisa estar na página, com o nome de quem escreveu.

Se quiser ver como isso fica montado, as páginas que fazemos seguem exatamente essa estrutura: sites profissionais.

Um caso que mostra o tamanho do problema

Um afiador que atende Sapiranga e as cidades em volta tinha o trabalho todo vindo de indicação e de um ponto físico conhecido no bairro. Quem já era cliente sabia onde encontrar. Quem quebrou a tesoura ontem e digitou "afiar tesoura de salão perto de mim" não achava ninguém — achava anúncio de loja de facas em São Paulo.

Quando a página entrou no ar, três coisas estavam escritas ali que não estavam em lugar nenhum antes: os serviços com o nome que o cliente usa (afiação de tesoura de salão, alicate de cutícula, faca de cozinha), as cidades atendidas, uma por uma, e a promoção de 10% para quem chegasse pela página. Nada disso é sofisticado. É informação que existia na cabeça dele e não existia em lugar nenhum que o Google pudesse ler.

Esse é o padrão que eu vejo na maioria dos negócios de serviço: não falta qualidade, falta o texto existir. O concorrente que aparece na sua frente muitas vezes não trabalha melhor que você — ele só escreveu o que faz.

Vale dizer o que não aconteceu: ninguém virou primeiro lugar da cidade em duas semanas, e nenhuma página resolve sozinha um telefone que não é atendido. O que muda é o começo da conversa deixar de depender só de quem já te conhece.

Quanto tempo leva — e o que não esperar

Vou ser honesto, porque prometer primeiro lugar em uma semana é o tipo de conversa que estraga o mercado.

Uma página nova costuma ser indexada em poucos dias. Movimento real na busca, para termo de serviço mais cidade, aparece em geral entre quatro e oito semanas, e cresce conforme o conteúdo e as avaliações se acumulam. Cidade pequena responde mais rápido que capital, porque tem menos concorrência disputando a mesma palavra.

E tem uma coisa que eu não faria: pagar anúncio antes de arrumar o destino. Se o clique cai numa página que não responde "o que é, onde, quanto e como falar com vocês", você está comprando visita para perder. Arrume o destino primeiro, depois, se quiser acelerar, anuncie.

O que eu faria nesta semana

  1. Buscar no celular o seu serviço mais a sua cidade, e anotar quem aparece nos três blocos.
  2. Criar ou completar a ficha no Google Meu Negócio, com horário e fotos reais.
  3. Escrever numa folha os três serviços que dão mais dinheiro, com as palavras que o cliente usa.
  4. Colocar isso numa página com endereço próprio, botão de WhatsApp e as cidades que você atende.
  5. Pedir avaliação para os cinco últimos clientes satisfeitos. Cinco, não cinquenta — é o que dá para fazer sem virar chateação.

Nada disso depende de entender de marketing. Depende de dizer com clareza o que você faz e onde, num lugar que o Google consiga ler.

Se você quiser que a gente cuide dessa parte, a página profissional fica pronta com o texto, as fotos e o botão de WhatsApp já no lugar — e se preferir fazer sozinho, o roteiro de como criar um site para o seu negócio serve de guia. Dúvida pontual, é só chamar a gente.

Cristian F. Ritter

Sobre o autor

Cristian Ritter é engenheiro e fundador da Conecta Pages, uma empresa especializada em soluções de marketing digital e criação de páginas de captura. Com uma carreira de mais de 15 anos no setor de tecnologia, o autor tem ajudado inúmeras empresas a estabelecerem e expandirem sua presença online.