Sábado à noite, um food park com oito food trucks. Chega uma família de quatro: um quer hambúrguer, outro quer comida japonesa, a criança quer pastel e ninguém sabe o que tem. Alguém fica guardando a mesa e os outros três saem andando, cada um para um lado, olhando quadro de menu, tirando foto de cardápio, voltando para contar o que viu.
Quinze minutos depois, metade já desistiu de comparar e pediu no primeiro truck que tinha fila curta. Não porque era o que queria, mas porque cansou de procurar.
Quem administra um parque conhece essa cena. E quase todo mundo já tentou resolver do mesmo jeito: colando na mesa uma placa com os QR Codes de todos os trucks. Oito quadradinhos, cada um levando para um lugar diferente, um deles para um PDF que não abre, outro para um Instagram fechado.
A solução que funciona é mais simples: um QR Code só, que abre uma página com todos os food trucks do parque. O cliente escolhe o truck, vê o cardápio, e só levanta para pedir.
O que dá errado hoje
Vale olhar com calma os três jeitos mais comuns, porque cada um falha num ponto diferente.
Cada truck com o seu QR. Parece justo com os food trucks, e é péssimo para o cliente. Ele precisa escanear, ler, voltar para a câmera, escanear o próximo. Na terceira vez desiste. E basta um truck trocar o link para a placa inteira ficar desatualizada, sem ninguém perceber.
O PDF que o truck já tem. Muito food truck tem o cardápio em PDF, feito pela gráfica ou no Canva. O problema aparece quando o cliente toca no link: o celular baixa o arquivo, às vezes de mais de 20 MB, e manda abrir num leitor que nem todo celular tem. Com o sinal fraco que é comum em área aberta, a pessoa fica olhando para uma barra de carregamento.
O quadro no balcão. É o mais honesto e o que mais faz andar. Funciona para quem já está na fila daquele truck. Para quem ainda não escolheu, obriga a ir até lá.
Os três têm o mesmo defeito de fundo: cada truck resolve o próprio cardápio, e ninguém resolve o problema do cliente, que é escolher entre todos.
Como fica com todos num lugar só
O cliente aponta o celular para o QR da mesa e abre uma página com o nome do parque e um card para cada food truck, com a foto de cada um. Toca no hambúrguer, vê o cardápio daquele truck página por página. Volta, toca no japonês, vê o outro. A família inteira decide sentada.
Por trás disso, o cardápio de cada truck continua sendo o que ele já tem. O PDF vira uma sequência de imagens leves, que abrem dentro da página, sem baixar arquivo. Um folheto de 25 MB que testamos ficou com pouco mais de 1 MB, e continua dando para ampliar com os dedos para ler o preço pequeno. Truck que só tem o cardápio no quadro manda uma foto nítida, e ela entra do mesmo jeito.
Três coisas mudam para quem administra o parque, e são as que mais pesam no dia a dia:
O QR das mesas é um só, e não muda. Entrou um food truck novo, ele ganha um card na página. Saiu um, o card sai. O adesivo nas mesas continua o mesmo, sem reimpressão.
Trocar o cardápio não depende de ninguém mexer na mesa. O truck mudou o preço do combo, manda o PDF novo, e a página passa a mostrar o novo. A placa com oito QR Codes nunca teve essa vantagem.
O texto do cardápio vai para a página. Além das imagens, o que está escrito no cardápio fica na página como texto. Isso ajuda quem usa leitor de tela e ajuda o Google: quem pesquisa "food park com comida japonesa" na sua cidade tem mais chance de achar o parque.
Não precisa de aplicativo, e nem de pedido pelo celular
Aqui eu discordo de muita proposta que aparece para dono de food park.
Aplicativo próprio do parque é dinheiro jogado fora. Ninguém instala um aplicativo para comer um hambúrguer num sábado, e quem instala apaga na segunda. O cliente quer abrir a câmera, ver o cardápio e pronto. Uma página que abre no navegador de qualquer celular faz isso, sem cadastro e sem loja de aplicativos.
Pedido e pagamento pelo celular é outra conversa, e pode até fazer sentido um dia. Mas ele mexe na operação de cada food truck: quem recebe o pedido, como a cozinha fica sabendo, como o dinheiro de cada um chega na conta certa. Num parque com oito donos diferentes, isso vira um projeto. Ver todos os cardápios da mesa resolve a parte que mais incomoda o cliente hoje, a de andar para escolher, e não muda nada no balcão de ninguém. Eu começaria por aí.
Como montar, passo a passo
Se você administra um parque e quer fazer isso, com a gente ou não, o caminho é este.
1. Junte os cardápios. Peça a cada food truck o PDF que ele já usa. Quem não tem PDF manda foto do quadro ou do cardápio de papel, de frente, com boa luz. Combine que, quando o preço mudar, o truck avisa e manda o arquivo novo.
2. Uma foto de cada truck. É ela que aparece no card. Funciona melhor a foto do truck em si, com o nome visível, do que a foto de um prato: o cliente reconhece o truck quando levanta para pedir.
3. Onde colar o QR. Em todas as mesas, numa altura que dê para apontar o celular sentado. Na entrada, para quem chega e ainda não sentou. E perto de onde a fila se forma, para quem está em pé decidindo. Um texto curto ao lado ajuda: "Os cardápios de todos os food trucks".
4. O parque no Google. Muita gente procura o food park pelo Google Maps antes de sair de casa. Se o perfil do parque no Google tem o link da página com todos os cardápios, a família decide em casa onde vai jantar. Explico como deixar esse perfil completo no artigo sobre o Google Meu Negócio, e por que ele perde cliente quando não tem para onde mandar no artigo sobre quem aparece no Maps mas não tem página.
5. Combine quem cuida. Alguém do parque precisa ser o responsável por receber os cardápios novos e avisar quando um truck entra ou sai. Sem isso, em três meses a página está mostrando o cardápio do inverno passado, e isso é pior que não ter página.
Quem paga, e o food truck sozinho
No modelo que a gente usa, quem contrata é o parque, e o valor acompanha o número de food trucks: entrou um truck, a mensalidade sobe; saiu, desce. Os food trucks só mandam o cardápio que já têm, e a montagem é com a gente. O preço atualizado está na página do hub de cardápios para food park.
E se você tem um food truck e o seu parque não tem nada disso? O cardápio do seu truck pode estar no ar de graça, com QR Code para colar no balcão e no próprio truck, aberto no celular sem baixar nada. É o cardápio digital grátis, até 1.000 aberturas por mês. Quando o parque montar o hub, o seu cardápio entra nele do jeito que já está, e o que abrirem por lá conta para o parque, não para o seu limite.
Para entender melhor como o cardápio digital funciona para um restaurante ou um truck sozinho, fora de um parque, o assunto está no artigo sobre cardápios digitais.
Se quiser ver como fica com os cardápios do seu parque, manda os PDFs de dois ou três food trucks pelo hub de cardápios e a gente monta para você olhar.