Pense num salão no Estreito, em Florianópolis: duas cabeleireiras, uma manicure, agenda cheia de clientes antigas e um Instagram bem cuidado. Uma moradora nova do bairro procura no Google "salão de beleza no Estreito" numa terça à noite, porque quer fazer luzes no sábado. Aparecem três ou quatro salões. Ela não conhece nenhum.
O que ela faz nos próximos dois minutos decide quem ganha a cliente. E quase sempre ela faz a mesma coisa: abre o primeiro resultado que responde as quatro perguntas que tem na cabeça. Faz luzes? Mais ou menos quanto custa? Fica onde, e abre sábado? Como eu marco?
O Instagram do salão responde a primeira com fotos lindas e não responde as outras três. O preço está num story de março, o endereço está na bio sem o número, e para saber se abre sábado ela teria que mandar mensagem e esperar. Ela não manda. Ela volta para o Google e abre o próximo.
É para isso que serve a página do salão: responder essas quatro perguntas antes que a cliente desista de perguntar.
O que a cliente procura, e com que palavras
Ninguém pesquisa "salão de beleza completo com profissionais qualificados". A busca é pelo serviço, quase sempre com o lugar junto: "progressiva no Estreito", "manicure perto de mim", "luzes loiras Florianópolis", "salão aberto domingo". Quem procura assim já decidiu que vai fazer. Falta só escolher onde.
Por isso a página não é uma vitrine do salão, é uma lista do que ele faz, escrita com as palavras da cliente. Se no salão todo mundo fala "selagem" e a cliente pesquisa "progressiva sem formol", o Google precisa achar as duas coisas escritas na página. Se a manicure faz alongamento em gel, escreva "alongamento de unha em gel", e não só "unhas".
Vale fazer um exercício simples: pegue as últimas trinta mensagens de WhatsApp de clientes novas e anote como cada uma pediu o serviço. Aquilo é a lista de palavras da página. Explico melhor como o Google escolhe quem mostrar no artigo sobre como aparecer na busca da sua cidade.
O que a página precisa ter
Os serviços, um por um. Corte, escova, coloração, luzes, progressiva, hidratação, manicure, pedicure, o que o salão fizer. Uma linha para cada, dizendo o que é e para quem serve. "Luzes com papel ou touca, para quem quer clarear sem descolorir tudo" já ensina mais que três parágrafos sobre "realçar sua beleza natural".
O preço, ou pelo menos de onde ele parte. Esse é o ponto em que eu mais discordo do que se faz por aí, e explico abaixo.
Onde fica, de verdade. Rua, número, bairro e uma referência ("em frente à padaria da esquina"). Se tem estacionamento, diga. Se não tem, diga onde dá para parar. Para quem nunca foi, chegar é metade da dúvida.
Os dias e horários, iguais aos do Google. Se a página diz que abre sábado até as 18h e o perfil no Google diz 17h, a cliente não sabe em qual acreditar, e quem chega às 17h30 encontra a porta fechada e não volta. Quando mudar o horário, mude nos dois lugares no mesmo dia. O perfil no Google e a página trabalham juntos: um faz o salão aparecer no mapa, a outra explica o que ele faz.
Fotos do trabalho do salão. Não de banco de imagens. Uma mulher sorrindo de roupão branco não diz nada sobre o seu salão, e a cliente sabe disso. Funciona melhor uma foto de costas com as luzes prontas, tirada perto da janela, sem filtro. O cabelo de verdade, na luz de verdade.
Avaliações. Três ou quatro das que as clientes já deixaram no Google, com o primeiro nome. Não precisa de mais.
Um botão de WhatsApp que já diz de onde a cliente veio. O botão abre a conversa com uma mensagem pronta, do tipo "Oi, vi a página do salão e queria marcar". Quem atende sabe na hora que é cliente nova vinda da busca, e quem chama não precisa pensar em como começar. O que escrever em volta desse botão está no artigo sobre o que escrever na página para a cliente chamar.
Por que eu colocaria o preço
A maioria dos salões escreve "valores sob consulta" em tudo. Entendo o motivo: o preço da progressiva depende do comprimento, do volume, do que já tem no cabelo. Ninguém quer escrever um número e ouvir depois que "no site estava mais barato".
Mesmo assim, eu colocaria. Não o preço exato, o ponto de partida e o que faz ele subir: "progressiva a partir de tanto, para cabelo até o ombro; acima disso, o valor sobe conforme o comprimento". Isso resolve duas coisas.
Primeiro, a cliente que estava com medo de perguntar e ouvir um valor fora do orçamento chama, porque já sabe que cabe. Segundo, a que procura o mais barato da cidade nem chama, e isso é bom: a sua manicure não passa a tarde respondendo orçamento de quem nunca ia marcar.
Vai ter dona de salão que discorda, e tem um caso em que ela tem razão: serviço que só dá para avaliar vendo o cabelo, como correção de cor depois de química feita em casa. Para esse, escreva justamente isso: "correção de cor: preço só na avaliação, que é gratuita". Também é uma resposta.
O que deixar de fora
Página de salão costuma pecar por excesso, não por falta.
Missão, visão e valores não ajudam ninguém a marcar escova. Um parágrafo sobre "a história do salão" cabe se for curto e disser algo concreto ("a Jaqueline corta cabelo no bairro desde 2009"); se for genérico, sai.
Lista de marcas de produto só se a cliente pesquisa por elas. Tem quem procure "salão que usa tal marca", mas é minoria; na dúvida, uma linha basta.
E agendamento online, para um salão de bairro, eu deixaria para depois. Parece moderno, mas a cliente nova quase sempre tem uma pergunta antes de marcar ("dá para fazer luzes e corte no mesmo dia?"), e a agenda do salão tem encaixes que nenhum sistema entende. O WhatsApp, com uma pessoa respondendo, resolve as duas coisas.
Instagram não substitui a página
O Instagram é ótimo para quem já conhece o salão: a cliente antiga vê o trabalho novo e marca de novo. Para quem ainda não conhece, ele tem dois problemas. O Google mostra pouco do que está lá dentro, então quem pesquisa "progressiva no Estreito" dificilmente chega no perfil. E quando chega, tem que rolar o feed atrás de preço e endereço.
A página resolve a busca, e o Instagram continua fazendo o que faz bem. Uma coisa não tira a outra; a página pode até ter o link do perfil para quem quiser ver mais fotos. Escrevi sobre essa dúvida com mais calma em só tenho Instagram: preciso mesmo de um site?
Os erros que mais vejo
A página com o preço do ano passado. Pior que não ter preço. A cliente chega com o número da página e ouve outro no balcão. Se o salão reajusta em janeiro, a página muda em janeiro.
Só a logo e o link do Instagram. É um cartão de visita digital, não responde nada.
O telefone fixo como único contato. Muita cliente nova não liga para lugar nenhum; ela manda mensagem. Se o salão não tem WhatsApp no número fixo, coloque o celular de quem atende.
O horário de fim de ano esquecido. O salão passou a abrir domingo em dezembro e a página continua dizendo que fecha. É exatamente nesse mês que a cliente nova está procurando.
Quanto custa e quem faz
Uma página assim não precisa custar caro nem dar trabalho para quem está atrás da cadeira o dia inteiro. Na ConectaPages, a gente escreve o texto a partir do que você conta sobre o salão, você manda as fotos do trabalho, e a página vai ao ar por R$ 29,90 por mês, sem taxa de criação e sem fidelidade. Mudou o preço ou o horário, você muda pelo painel ou pede pra gente. Se quiser comparar com outras formas de ter um site, as contas estão no artigo sobre quanto custa manter uma página no ar.
Se quiser ver como fica, é por aqui: sites profissionais.