O que colocar no cartão de visita, e o que deixar de fora

Uma designer de sobrancelhas de Caxias do Sul mandou fazer mil cartões bonitos: fundo preto, letra dourada fininha, o nome do studio em cursiva e, embaixo, o @ do Instagram. Distribuiu numa feira de noivas num sábado. Na segunda, a cliente que mais tinha gostado do trabalho dela abriu a bolsa, achou o cartão, e não conseguiu ler o @ na luz da cozinha. Desistiu e marcou com a moça do estande ao lado, que tinha deixado um cartão branco com "Design de sobrancelhas · Centro de Caxias" e um WhatsApp em letra grande.

Cartão de visita não é para impressionar na hora em que você entrega. É para funcionar dias depois, quando você não está lá para explicar nada. Tudo o que vai neste texto sai dessa ideia.

Ainda vale ter cartão?

Toda hora alguém diz que cartão de visita morreu, que hoje é só passar o Instagram. Para quem atende gente pessoalmente, eu discordo.

O Instagram é ótimo para quem já te segue. Mas, no balcão, na feira, no fim de um atendimento, a pessoa está com pressa, com o celular no bolso, e "depois eu te sigo" quase nunca acontece. O cartão vai para a carteira, para a porta da geladeira, para a gaveta do salão onde a cliente trabalha, e fica lá esperando o dia em que alguém pergunta "você conhece uma boa designer de sobrancelhas?". É aí que ele trabalha.

O que não vale é gastar com cartão caro achando que ele vende sozinho. Papel especial, verniz, canto arredondado: nada disso faz ninguém mandar mensagem. O que faz é a pessoa entender, em três segundos, o que você faz, onde e como falar com você.

O que vai na frente

A frente do cartão tem quatro coisas, e só quatro.

O nome pelo qual as pessoas vão te procurar. Se as clientes te chamam de "Ju da sobrancelha", o nome do studio pode ficar, mas o seu nome também precisa estar ali. É ele que vai ser digitado no Google ou no WhatsApp depois.

O que você faz, com as palavras que o cliente usa. "Design de sobrancelhas e henna" diz tudo. "Beleza e bem-estar" não diz nada, e é a frase que mais aparece em cartão de estética. Se você faz várias coisas, coloque as duas ou três que mais te dão trabalho, não a lista inteira.

Um telefone, e que seja o WhatsApp. Um. Dois números fazem a pessoa hesitar sobre qual usar, e cartão com fixo, celular e WhatsApp separados parece de empresa grande que não atende. Escreva com espaço e em letra que se leia de longe: 54 99999-9999, não 54999999999.

Onde você atende. O bairro, a cidade, ou "atendo em domicílio em Caxias e Farroupilha". Se você atende na casa do cliente, não precisa do endereço completo; se recebe no seu espaço, o endereço com uma referência ("em cima da farmácia da Pinheiro Machado") poupa uma mensagem.

Logotipo, se você tiver, entra pequeno. Ele é seu, mas quem lê procura o resto.

O verso: o espaço que quase todo mundo desperdiça

A maioria dos cartões tem o verso em branco ou repete o logo. É o pedaço mais útil do cartão.

Para quem trabalha com hora marcada, como a nossa designer de Caxias, o melhor uso é um espaço para anotar o próximo horário: "Seu próximo retorno: / às ___h". A cliente sai com o cartão na mão por um motivo prático, e ele fica guardado até a data. Muita gente que atende com retorno (unha, cabelo, estética, fisioterapia, adestramento) faz isso e é o tipo de detalhe que a cliente comenta.

Para quem não trabalha com retorno, o verso pode ter o QR Code e uma frase sobre ele, ou uma lista curta dos serviços, ou as formas de pagamento. Escolha um. Verso lotado tem o mesmo problema da frente lotada.

QR Code: útil, se você testar

O QR Code resolve o problema do @ que ninguém consegue digitar. Mas vale pensar para onde ele leva.

O melhor destino, para quem vive de WhatsApp, é o próprio WhatsApp, com uma mensagem já escrita: a pessoa aponta a câmera e a conversa abre pronta, do tipo "Oi, peguei seu cartão e quero marcar um horário". Quando essa mensagem chega, você ainda sabe que veio do cartão. E vale ter uma mensagem de saudação no WhatsApp respondendo na hora, porque quem escaneia o cartão costuma fazer isso fora do seu horário.

Se você tem uma página com os serviços, preços e fotos, o QR pode levar para ela. Aí o cartão continua o trabalho: quem ficou em dúvida vê o resto antes de chamar. O que escrever nessa página para a pessoa chamar já sabendo o que quer está em o que escrever na página para o cliente chamar no WhatsApp.

Dois cuidados que evitam o pior cenário, que é mil cartões impressos com um código que não abre. O código precisa ter pelo menos uns 2 centímetros de lado, impresso escuro sobre fundo claro. E teste antes de mandar imprimir: aponte a câmera de dois ou três celulares diferentes para o arquivo na tela e veja se todos abrem o lugar certo.

O que deixar de fora

Mais do que esquecer alguma coisa, o erro comum é colocar coisa demais.

Saem do cartão: o e-mail que você não abre; o site antigo que ninguém atualiza; a frase de efeito ("qualidade e compromisso", "a sua beleza é a nossa missão"), que todo concorrente tem; a lista de dez serviços em letra miúda; e as redes sociais que estão paradas. Cada item a mais diminui o tamanho do que importa.

E cuidado com o que parece elegante e não se lê: letra fina dourada ou prateada, fundo escuro, texto em cursiva, fonte menor que a de uma bula. Teste simples: deixe o cartão em cima da mesa, afaste-se um passo e veja se ainda dá para ler o WhatsApp. A cliente da nossa designer não passou nesse teste na luz da cozinha.

Como fazer sem gastar à toa

Para montar, um editor como o Canva tem modelos de cartão prontos; escolha um simples e troque os textos seguindo o que está acima. Não precisa de designer para um cartão funcionar. Precisa de pouca coisa escrita com clareza.

Para imprimir, uma gráfica rápida da sua cidade resolve. O papel mais comum, encorpado e fosco, é suficiente; acabamentos especiais encarecem e não mudam o resultado. Peça poucos na primeira vez. Você vai querer corrigir alguma coisa depois de distribuir os primeiros cem, e é melhor descobrir isso antes de ter oitocentos na gaveta.

Depois do cartão vem o Google

Tem uma coisa que pouca gente liga ao cartão: quem pega um cartão seu e não te chama na hora quase sempre pesquisa o seu nome no Google antes de chamar. É a mesma coisa que acontece com quem recebe uma indicação. O que essa pessoa encontra (uma ficha no mapa, uma página com os serviços, nada) decide se o cartão vira cliente. Escrevi sobre isso em marque presença no Google com um site, e sobre como aparecer para quem ainda não te conhece em como aparecer no Google na busca da sua cidade.

O cartão abre a porta. O que está do outro lado do QR Code e da busca é o que faz a pessoa entrar.

Se você quiser uma página para colocar no QR Code do seu cartão, com os serviços, a cidade e o botão de WhatsApp, é o que a gente faz em sites profissionais, por R$ 29,90 por mês.

Cristian F. Ritter

Cristian F. Ritter

Cristian Ritter é engenheiro e fundador da Conecta Pages, uma empresa especializada em soluções de marketing digital e criação de páginas de captura. Com uma carreira de mais de 15 anos no setor de tecnologia, o autor tem ajudado inúmeras empresas a estabelecerem e expandirem sua presença online.