A página fica pronta, você paga, e todo mundo comemora. O problema aparece uns oito meses depois, quando chega um email dizendo que o domínio vence em trinta dias e você descobre que não faz ideia de quanto custa, nem onde ele está registrado, nem quem tem a senha.
Este artigo é a lista de contas que continuam vindo depois que a página está no ar. Com valores, e dizendo qual delas é grátis de verdade — porque duas são, e tem gente cobrando por elas.
Conta 1: o domínio
É o endereço, tipo suaempresa.com.br. Ele não se compra, se aluga: você paga por ano e, se
esquecer de pagar, ele volta para o mercado e outra pessoa pode registrar.
Um .com.br custa R$ 40 por ano no registro.br, que é o órgão oficial brasileiro. Esse é o
preço de tabela, não é promoção, e é o mesmo para todo mundo. Um .com sai por volta de R$ 60 a R$
90 por ano dependendo de onde você registrar.
Se alguém te cobra R$ 200 por ano de domínio, não é roubo necessariamente — pode ser o preço do trabalho de registrar, renovar e não deixar vencer. Mas você tem direito de saber quanto é a taxa e quanto é o serviço.
O que verificar hoje: entre no registro.br e consulte o seu domínio. Ali aparece quem é o titular. Se não for você ou o seu CNPJ, resolva isso antes de qualquer outra coisa — é o único item desta lista que, perdido, você não recupera.
Conta 2: a hospedagem
É o espaço onde os arquivos ficam e o serviço que responde quando alguém digita o endereço.
Para uma página de negócio local, hospedagem compartilhada resolve com folga e custa entre R$ 15 e R$ 40 por mês. Os planos de R$ 200 que aparecem nas comparações são para loja virtual com muito movimento, não para uma página com seus serviços e um botão de WhatsApp.
Aqui cabe uma opinião: velocidade importa mais que qualquer plano caro. Uma página leve numa hospedagem simples abre mais rápido que uma página pesada num servidor potente. O problema quase nunca é o servidor, é a página cheia de coisa.
Conta 3: o certificado de segurança (esta é grátis)
É o cadeado, o https:// na barra de endereço. Sem ele o navegador avisa o visitante de que o site
não é seguro, e metade das pessoas vai embora ali.
O certificado é gratuito. Chama Let's Encrypt, renova sozinho a cada três meses e é o padrão usado pela maior parte da internet hoje, incluindo aqui. Se alguém está te cobrando uma taxa anual de SSL para uma página institucional, pergunte qual certificado é, porque os pagos servem para casos que provavelmente não são o seu — banco, loja com cartão, certificado com validação de empresa.
Essa é a primeira das duas contas que você pode riscar da planilha.
Conta 4: a manutenção — e aqui mora o gasto real
As três primeiras são baratas e previsíveis. Somadas dão uns R$ 400 por ano, e é por isso que elas não são o problema.
O gasto de verdade é quem mexe na página quando algo muda. E muda sempre: o telefone, o horário de verão, o preço, o serviço novo, a foto do trabalho de ontem.
Se cada alteração dessas é uma visita paga de desenvolvedor, a uma média de R$ 80 a R$ 150 a hora, duas mudanças por mês já custam mais que todo o resto da lista somado. Se você mesmo mexe, o custo não é em dinheiro, é em tempo — e tempo, para quem presta serviço, é a coisa mais cara que existe.
A pergunta certa para fazer antes de contratar não é "quanto custa a página", é "quanto custa mudar o horário de atendimento". Quem responde rápido e com um número, conhece o próprio serviço.
Conta 5: a que ninguém põe na planilha
A página desatualizada.
Penso num piscineiro que atende a temporada. Ele monta a página em novembro, com a tabela de limpeza quinzenal e o telefone. Em março a temporada acaba, ele para de olhar. No ano seguinte o preço subiu, ele passou a atender uma cidade a mais e mudou o número do WhatsApp — e a página continua lá, dizendo tudo errado, com o número antigo.
Essa página não está custando hospedagem. Está custando cliente: cada pessoa que liga para o número velho e não é atendida não liga de novo, liga para o próximo da lista. É o custo que não aparece em lugar nenhum, e é o maior de todos.
É a mesma conta que descrevi em como criar um site para o seu negócio, por outro ângulo: site de negócio local não é obra entregue, é coisa viva.
O que acontece se você simplesmente parar de pagar
Vale saber, porque as duas contas se comportam de um jeito bem diferente.
A hospedagem costuma suspender a página poucos dias depois do vencimento. É chato, mas tem conserto: você paga e volta no mesmo dia, com tudo no lugar.
O domínio é outra história. No .com.br existe um período de retenção depois do vencimento em
que só você pode renovar; passado ele, o endereço é liberado e qualquer pessoa registra. Quem
perde o domínio perde junto o endereço que está no cartão, no adesivo do carro, nos anúncios e no
índice do Google. Recuperar, quando dá, custa bem mais que os R$ 40.
Por isso, das contas todas, a que merece um lembrete no celular é essa.
O endereço é portátil; a página, não
Escrevo isto sabendo que trabalho vendendo página, mas é o que eu gostaria que tivessem me explicado: essas são duas coisas diferentes, e só uma delas você leva embora.
O endereço é portátil quando o domínio é seu. Você registra no seu nome, aponta para onde o serviço estiver hospedado, e no dia em que quiser trocar de fornecedor, aponta para outro lugar. Quem fica sabendo é só quem hospeda; o cliente que digita o endereço não percebe nada. É a parte que mais importa, porque é o que está no cartão, no adesivo do carro e no índice do Google.
Aqui, por exemplo, tem os dois caminhos: ou você usa um endereço dentro do nosso domínio, sem pagar registro nenhum, ou registra o seu e a gente direciona o tráfego para ele. No primeiro caso não há endereço a levar — ele nunca foi seu.
A página não é portátil, e isso vale para praticamente qualquer serviço por assinatura, não só para o nosso. Não existe um arquivo numa pasta que alguém te entrega numa pendrive: a página é montada pelo sistema a partir dos seus dados — os serviços, as fotos, os horários, as avaliações. Trocar de fornecedor significa levar esse conteúdo e mandar remontar do outro lado. Dá trabalho, custa de novo, e é honesto dizer isso antes de você assinar, não depois.
Então a pergunta para fazer a qualquer fornecedor, inclusive a mim, é em duas partes: o domínio fica no meu nome? e se eu sair, o que exatamente eu levo?. A resposta diz mais sobre ele do que o portfólio.
A conta fechada, dos dois jeitos
Somando um ano, para uma página de negócio local:
| Por conta própria | Assinando aqui | |
|---|---|---|
| Domínio | R$ 40/ano (.com.br) |
endereço no nosso domínio, sem custo — ou o seu, que você registra |
| Hospedagem | R$ 15 a R$ 40/mês | incluso |
| Certificado | grátis (Let's Encrypt) | incluso |
| Alterações | seu tempo, ou R$ 80 a R$ 150 a hora | inclusas |
| Total no ano | R$ 400 a R$ 900, mais as alterações | R$ 358,80 (+ R$ 40 se quiser domínio próprio) |
São R$ 29,90 por mês. Cabe aqui a parte que me obriga a ser honesto: esse valor só faz sentido porque a sua página é montada sobre a mesma estrutura que já serve os outros clientes. Não é mágica nem preço de isca, é divisão de custo.
E o que não está incluso, para não criar expectativa errada: não fazemos gestão de anúncios, não disparamos email em massa para lista e não prometo primeiro lugar no Google.
Se você já tem uma página e quer só auditar
Dá para fazer sozinho, hoje, em uns quinze minutos:
Consulte seu domínio no registro.br e confirme o titular e a data de vencimento. Abra sua página no celular e veja se o telefone, o horário e o preço estão certos. Confira se aparece o cadeado. Pegue a última fatura da hospedagem e veja quanto está pagando por mês.
Com essas quatro respostas você sabe exatamente onde está o seu dinheiro, e se está pagando por alguma coisa que é grátis.
Se quiser entender melhor o que uma landing page faz antes de decidir mudar qualquer coisa, escrevi o guia completo da landing page. E se a sua página já converte mas trava na hora do contato, o ajuste mais barato costuma ser a mensagem de saudação no WhatsApp.
Quem quiser ver como montamos e mantemos as nossas, está descrito em sites profissionais. E se for só para tirar a dúvida da fatura, fale com a gente — olho a sua conta e digo o que dá para cortar, mesmo que você fique onde está.