Três mil reais pelo site, mais uma mensalidade que ninguém explicou direito. Orçamento nesse formato chega na minha mão com alguma frequência, junto com a pergunta: isso é caro? A resposta honesta é que não dá para saber sem antes responder outra coisa: o que esse site precisa fazer?
É por aí que vou. Primeiro o que um site de negócio local realmente precisa ter, depois as três formas de colocar ele no ar, com o que cada uma custa de dinheiro e de tempo. No fim você vai saber escolher sozinho, inclusive se a escolha for não me contratar.
O que um site de negócio local precisa ter
Menos do que vendem para você. Para quem atende na cidade, o site que funciona tem cinco coisas:
O serviço escrito do jeito que o cliente fala. "Abertura de porta", não "soluções em controle de acesso". O cliente digita no Google a palavra que ele usa, não a que soa profissional.
A cidade, escrita. Parece bobagem e é o que mais falta. Se você atende Sapiranga, Campo Bom e Araricá, as três precisam aparecer no texto — senão o buscador não tem como saber.
Um jeito de chamar você em um toque. Botão de WhatsApp, de preferência com a mensagem já preenchida. Se você ainda não configurou a saudação automática, vale ler como criar uma mensagem de saudação no WhatsApp.
Prova de que o trabalho existe. Fotos do serviço feito e as avaliações que você já tem. No feed elas somem em duas semanas; na página, ficam.
Preço ou faixa de preço, quando dá. A maioria das páginas não responde isso, e a pessoa desiste antes de perguntar.
Repare no que não está na lista: animação de abertura, vídeo de fundo, blog com três posts por semana, chat com robô. Nada disso faz o telefone tocar em um negócio de bairro.
Forma 1: fazer sozinho em uma plataforma
Wix, WordPress, Squarespace e os parentes. Você monta arrastando blocos.
O custo em dinheiro é o menor dos três: a plataforma cobra algo entre R$ 30 e R$ 100 por mês no
plano que permite usar domínio próprio, e o domínio .com.br sai por R$ 40 por ano no registro.br,
que é o órgão oficial — quem cobra mais que isso por um .com.br está cobrando pelo trabalho de
registrar, o que é legítimo, mas é bom você saber qual parte é qual.
O custo em tempo é o que pega. Não é o arrastar blocos, isso é fácil. É escrever. Sentar e produzir os textos dos serviços, tirar fotos que prestem, decidir o que fica em cada página. Quem tenta costuma travar aí, e o site fica seis meses "quase pronto" numa aba aberta do navegador.
Vale a pena quando você gosta de mexer, tem umas noites livres e quer aprender a mudar as coisas sozinho. É uma habilidade útil.
Forma 2: contratar alguém para fazer
Um freelancer ou uma agência. O orçamento do chaveiro estava aqui: R$ 3.000 pelo site pronto.
Esse valor não é absurdo pelo que envolve — briefing, design, montagem, revisão, publicação. Numa agência sobe bastante; com um freelancer bom da sua cidade, costuma ficar abaixo. O que quase ninguém explica na hora do orçamento são as três perguntas que decidem se o negócio é bom:
Depois de pronto, quem mexe? Se toda mudança de preço ou de horário custa uma visita paga, em um ano você gastou mais na manutenção do que no site.
O domínio fica no seu nome? Insista nisso. Domínio registrado no CNPJ de quem fez é uma dor de cabeça na hora de trocar de fornecedor.
A hospedagem está incluída até quando? É o custo que continua vindo. Escrevi o detalhamento em quanto custa manter uma landing page no ar, porque é a conta que pega a maioria de surpresa no segundo ano.
Forma 3: assinar uma página pronta
É o que a gente faz aqui, então leia esta parte sabendo de onde eu falo.
A página fica R$ 29,90 por mês, com domínio, hospedagem, atualização de conteúdo e o suporte por WhatsApp em horário comercial — quem responde sou eu. Não é preço de promoção: é o que dá para cobrar porque a página é montada sobre a mesma estrutura que já serve os outros clientes, então o custo de manter uma a mais é pequeno.
O que você faz: manda as informações do negócio e as fotos. O que eu faço: o resto, e as mudanças depois, quando o preço muda ou entra um serviço novo.
O que não tem, para não sobrar dúvida: não existe garantia de devolução de dinheiro, e eu não prometo primeiro lugar no Google — ninguém que seja honesto promete. O que dá para prometer é a página no ar, escrita para ser encontrada por quem procura o seu serviço na sua cidade, e mexida quando você precisar. A descrição completa está em sites profissionais.
As três lado a lado
| Você paga | Você gasta de tempo | Quem mexe depois | |
|---|---|---|---|
| Fazer sozinho | R$ 30 a R$ 100/mês + R$ 40/ano de domínio | uma semana de noites, e o texto é com você | você |
| Contratar | R$ 1.500 a R$ 3.000 de uma vez, mais hospedagem | umas reuniões e o material que te pedirem | depende do contrato — pergunte |
| Assinar pronta | R$ 29,90/mês, aqui | mandar as informações e as fotos | eu |
A linha que interessa é a última. As duas primeiras colunas todo mundo compara; a terceira é a que define se o site vai estar certo daqui a um ano.
Como escolher entre as três
Não é pelo preço, é pelo que sobra de tempo seu.
Se o seu negócio é sazonal ou está começando e você tem mais tempo que dinheiro, faça sozinho. Sério. Comece pelo mais simples possível: uma página só, com os cinco itens da primeira seção.
Se você já tem movimento e cada hora sua vale mais do que a diferença de preço, terceirize — comigo ou com quem você confiar. O cálculo é bruto: quanto você fatura em uma tarde de trabalho? Se montar o site sozinho te custa cinco tardes, compare com o orçamento.
E se o que você precisa é uma página só, para uma campanha ou um serviço específico, talvez nem seja um site: é uma landing page, que é outra coisa e custa menos trabalho. A diferença está em o guia completo da landing page.
O erro que eu mais vejo
Gastar tudo na construção e nada na manutenção.
O site nasce bonito, com as fotos boas e o texto revisado. Um ano depois o telefone mudou, o preço subiu, entrou um serviço novo e nada disso está lá. O cliente chega, lê a informação velha e liga para o concorrente — ou pior, liga para você reclamando de um preço que não existe mais.
Site de negócio local não é obra entregue, é coisa viva. Na hora de decidir, pese bastante quem vai mexer nele no dia a dia. Essa resposta vale mais que o design.
Como eu leio um orçamento de três mil
Abro a lista de entregas e separo em duas colunas: o que responde a pergunta do seu cliente, e o que é embalagem.
Identidade visual, ilustração própria, vídeo de abertura, animação — embalagem. Não é desperdício em todo negócio, mas raramente é o que faltava. Pense num chaveiro: a pergunta que o cliente dele tem na cabeça é "você abre porta de carro às duas da manhã na minha cidade ou não?". Nenhuma animação responde isso; uma linha de texto em destaque responde.
Se a maior parte do orçamento está na coluna da embalagem, não quer dizer que o profissional é ruim. Quer dizer que ele está te vendendo o serviço dele, que é design, e talvez o que você precise seja outra coisa. Vale dizer isso na cara, pedir a versão enxuta e comparar de novo.
Por onde começar hoje
Independente da forma que você escolher, o primeiro passo é o mesmo e é de graça.
Abra um arquivo e escreva: os serviços que você faz, com o nome que o cliente usa; as cidades que você atende; três perguntas que todo cliente te faz no WhatsApp, com a resposta. Junte as fotos dos trabalhos que você tem no celular.
Isso é o site. O resto é montagem — e a montagem é a parte barata, faça você ou faça eu.
Se quiser que eu olhe o que você escreveu antes de decidir qualquer coisa, fale com a gente. Digo com franqueza se, no seu caso, dá para fazer sozinho.